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Moçambique vai ter centro de arqueologia

  • Francisco Júnior

Yolanda Teixeira Duarte

Projecto tem apoio dos Estados Unidos e vai tenta descobrir ligações entre os dois países desde o tempo da escravatura

Moçambique vai ter um Centro de Arqueologia a ser instalado este ano na Ilha de Moçambique.

A estrutura será a primeira do género no país e um dos poucos existentes no continente, que se dedicará essencialmente à pesquisa e arquivo documental sobre caravanas e rotas de escravos.

A iniciativa é financiada pelo Governo dos Estados Unidos da América, através do Fundo do Embaixador para a Preservação do Património Cultural.

De Moçambique e de outras partes de África, partiram milhares de escravos para vários destinos, incluindo para o continente americano.

O tráfico, o comércio de escravos terminou num passado já muito distante, mas as evidências e os testemunhos materiais desse período triste da história da humanidade ainda existem até hoje.

O património, no entanto, pode desaparecer para sempre, se medidas nesse sentido não forem tomadas.

Foi pensando nisso que se decidiu lançar a iniciativa, Slave Wreck Project, através da qual investigadores procuram descobrir e estudar a rota de escravos e navios negreiros naufragados.

Ricardo Teixeira Duarte, professor da Universidade Eduardo Mondlane, é o director do projecto Preservação e Protecção do Património Cultural Submerso e Terrestre Ameaçado do Comércio Global de Escravos na Ilha de Moçambique”.

A iniciativa é tutelada pelo Ministério da Cultura e Turismo e tem com forte envolvimento do Departamento de Arqueologia e Antropologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.

O património arqueológico em redor da Ilha de Moçambique está a ser estudado.

Localizada a cerca de 200 quilómetros de Nampula, a capital provincial, a Ilha de Moçambique é considerada património cultural da humanidade pela UNESCO.

É preciamente lá que os promotores do projecto querem instalar um centro de arqueologia, o primeiro do género em Moçambique.

A perspectiva, segundo Yolanda Teixeira Duarte, investigadora, e colaboradora da Universidade Eduardo Mondlane e também da Universidade George Washington, nos Estados Unidos da América, é montar o centro ainda este ano.

Para materializar esse objectivo, contam com fundos disponibilizados pelo Governo norte-americano através da sua Embaixada em Maputo.

O representa american, Dean Pittman, diz estar muito interessado neste projecto.

A ideia é que as pesquisas podem trazer fortes revelações, confirmando que muitos americanos podem ser descendentes de escravos levados de Moçambique .

Pittman revela que o projecto está orçado em 187 mil dólares.

A iniciativa, no entanto, é transnacional, envolvendo Estados Unidos, Brasil, Cuba, Senegal, África do Sul, Reino Unido e Uruguai.

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