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Moçambique precisa de reinventar a educação, sugere o académico António Cipriano Gonçalves

  • Amâncio Miguel

Soluções imediatistas apenas servem para comover. É preciso planificar a longo termo, sugere académico António Cipriano Gonçalves

Em 1975, pouco mais de trinta por cento da população de Moçambique sabia ler e escrever. Quarenta anos depois, mais de metade da população de 25 milhões escapou do analfabetismo. Mas há deficiências.

O país tem escolas debaixo de árvores; os professores carecem de formação adequada; ainda há alunos que concluem os sete anos de escolaridade obrigatória sem saber ler e escrever correctamente.

Perante o cenário, “e preciso reinventar a educação e abandonar os discursos que apenas servem para comover as pessoas,” sugere António Cipriano Gonçalves, autor do livro ´A educação politécnica e a escola de trabalho em Moçambique: novas e velhas falácias pedagógicas?`

Para ele, uma das apostas é a formação sólida de professores e não meras capacitações de curto prazo.

“Em matéria didáctico pedagógico, 45 dias não são suficientes para de facto formar um professor; nós nos enganamos. Devemos definir o tempo exacto para a formação didáctica e cientifica dos professores. A solução é reinventar a educação moçambicana a longo prazo”, diz.

António Cipriano Gonçalves: Investir na educação a pensar nas futuras gerações

António Cipriano Gonçalves: Investir na educação a pensar nas futuras gerações

Se o país falhar nisso, adverte Gonçalves, não será possível ter bons professores, e é uma ilusão pensar que isso será possível em cinco anos. “O investimento deverá ser feito para beneficiar as futuras gerações, porque a nossa é quase uma geração perdida”.

Gonçalves, que é docente na Universidade Eduardo Mondlane na Universidade São Tomás, em Maputo, recorda que a recente informação do Ministério da Educação sobre o facto de trinta por cento dos 130 mil professores moçambicanos não possuírem formação especializada não é nova.

“Parece um problema novo, mas é um problema `adormecido´ no Ministério da Educação. Parece que cada governante quando entra toca num problema e esquece os demais”.

A qualidade de ensino não depende apenas da melhoria da formação de professores. É preciso melhorar as condições de trabalho, defende Gonçalves, que lamenta existirem ainda professores que dão aulas debaixo de árvores, como o que acontece em N´kobe, arredores da Matola, Maputo.

Gonçalves questiona: “O que adianta ter um professor altamente formado se as condições de trabalho não são as melhores?”

Naquele país, devido à fraca qualidade do ensino público muitos pais, incluindo funcionários seniores do governo, matriculam os seus filhos no ensino privado.

“Tu não nunca vais ter uma escola e uma educação de melhor qualidade se a sociedade não é de melhor qualidade,” desabafa Gonçalves.

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