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Mo Ibrahim sugere que os africanos olhem para Cabo Verde

  • Redacção VOA

Pedro Pires, antigo Presidente de Cabo Verde

Fundador da Mo Ibrahim chama de herói ao antigo Presidente de Cabo Verde e diz que devia ser chamado a aconselhar os sul-africanos

“Em vez de olharem para a China ou América, olhem para Cabo Verde, vejam como é que conseguiram", disse nesta sexta-feira, 7, o presidente da Fundação Mo Ibrahim, ao intervir no início do Fim de Semana da Governação Ibrahim, em Marraquexe, Marrocos.

Mo Ibrahim fez esta afirmação ao destacar a figura do antigo Presidente e primeiro-ministro de Cabo Verde, a quem ele chamou de “herói”.

"É um grande exemplo", ressaltou o presidente da Fundação que anualmente procura destacar um líder africano, apelando aos cidadãos africanos que ”em vez de olharem para a China ou América, que olhem para Cabo Verde”.

Pedro Pires recebe prémio da Mo Ibrahim Foundation (2012)

Pedro Pires recebe prémio da Mo Ibrahim Foundation (2012)

Mo Ibrahim lembrou que Pedro Pires veio de um movimento de libertação que levou independência e mais tarde democracia a Cabo Verde.

De combatente a estadista

"Em alguns países em África temos um problema como estes movimentos. Quando se torna um partido no poder e ainda age como um movimento de libertação, é um grande problema para a governação. E vemos isso à nossa volta", prosseguiu o milionário sudanês que apontou que, talvez, “o Presidente Pires devesse viajar até à África do Sul e a aconselhar as pessoas”, em referência à crise actual naquele país.

Na sua intervenção, Ibrahim colocou ênfase no desconhecimento que os africanos têm dos seus líderes, particularmente os que se têm destacado pela positiva.

"O problema com África é que não conhece os seus heróis, só conhece os maus líderes, os criminosos", afirmou Mo Ibrahim, dizendo que Pedro Pires “é um grande exemplo”.

Durante o seu discurso no encontro com premiados da Fundação e especialistas do continente, Mo Ibrahim lembrou que depois de levar o país à independência, Pires “levou o país à democracia, com partidos, com eleições e liberdade”.

"Ganhou a independência e por alguma razão estranha, decidiu que Cabo Verde devia ser um país democrático, devia permitir partidos da oposição, devia ter uma economia liberal, ter eleições. Depois, aconteceu uma coisa incrível. Ele perdeu as eleições. Conseguem acreditar?", acrescentou.

Desconhecimento de África

O presidente da Fundação Mo Ibrahim lembrou que quando Pedro Pires perdeu as eleições em 1991 foi viver para casa da mãe e contou ter-lhe perguntado "porque é que não falou com alguns dos seus irmãos que constroem casas de 20 milhões com o dinheiro dos contribuintes", numa alusão a muitos presidentes africanos que se têm enriquecido no poder.

Entretanto, questionou Mo Ibrahim, “quantas das nossas crianças sabem sobre Pedro Pires?".

O antigo Presidente e primeiro-ministro cabo-verdiano foi galardoado em 2012 com o Prémio Liderança e Boa Governação em África da Fundação Mo Ibrahim, que destaca ex-chefes de Estado ou de Governo africanos que tenham promovido liberdade, democracia e boa governação e deixado o poder de acordo com a Constituição dos seus países.

Joaquim Chissano (Moçambique), Festus Mogae (Burundi) e Hifikepunye Pohamba (Namíbia) foram os demais vencedores, enquanto Nelson Mandela foi distinguido como vencedor honorário inaugural, em 2007.

O Fim de Semana da Governação Ibrahim termina este domingo nos Marrocos.

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