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Moçambique e África do Sul juntam forças contra caça furtiva

  • Simião Pongoane

Só no primeiro semestre de 2013 foram abatidos ilegalmente mais de 460 rinocerontes no Kruger Park.

Moçambique e a África do Sul concluem amanhã em Pretória um acordo visando a protecção da fauna bravia, sobretudo rinocerontes e elefantes, através do combate conjunto à caça furtiva.
O acordo, a ser rubricado pelo Ministro Moçambicano do Turismo, Carvalho Muária, e pela Ministra de Assuntos Hídricos e Ambientais da África do Sul, Edna Molewa, é uma iniciativa promovida pelo governo sul-africano. Na base do acordo, guardas florestais sul-africanos poderão entrar em Moçambique perseguindo caçadores furtivos ou ajudar os seus vizinhos em meios técnicos para o combate ao mal.

A África do Sul é a maior vítima de caça furtiva, envolvendo rinoceronte no Parque Nacional de Kruger que faz limite com Moçambique. Dados do ano passado indicam que só no primeiro semestre foram abatidos ilegalmente mais de 460 rinocerontes, sendo que destes mais de 280 foram mortos no Parque Nacional de Kruger.

Nos primeiros três meses do corrente ano, foram ilegalmente abatidos 277 rinocerontes dos quais 176 só no Parque Nacional de Kruger. A maior parte de caçadores furtivos é proveniente de Moçambique. Os furtivos querem os cornos do animal para vender na Ásia, considerado o principal mercado de consumo.

O comandante distrital da Polícia em Magude, na província moçambicana de Maputo, que faz limite com África do Sul, confirma que circula muito dinheiro na zona, através de telemóveis dos furtivos.

Armando Amude, comandante distrital da Polícia em Magude, confirmando a circulação de dinheiro nos telemóveis dos sindicatos de caçadores furtivos.
O professor Jorge Ferrão, da Universidade Lúrio, por sinal investigador ambiental, considera que o sindicato de caçadores furtivos usa várias táticas para ludibriar as autoridades.

Face à ameaça crescente do rinoceronte na África do Sul, o governo sul-africano deu ordens às suas forças de defesa e segurança para usarem todos os meios ao seu alcance para estancar à caça furtiva, incluindo armas de guerra. Fontes da Polícia em Moçambique dizem que pelo menos 80 moçambicanos foram mortos no ano passado na África do Sul. Trata-se de uma situação que preocupa o Governo, que através do Chefe da diplomacia, Oldemiro Baloi, condena a atitude de atirar para matar.

Mais de três dezenas de moçambicanos estão nas prisões sul-africanas por causa da caça furtiva.
Um oficial sul-africano das tropas de guarda-fronteira diz que nunca foi intenção das forças de defesa do seu País matar moçambicanos, mas avisa que a África do Sul tem direito de defender as riquezas, incluindo a fauna bravia.

Em Moçambique, a caça furtiva ainda não é crime, mas o parlamento aprovou semana passada uma lei que estabelece penas de prisão até 12 anos e agrava as multas para caçadores furtivos ilegais, só que a lei ainda não foi promulgada pelo Chefe do Estado. A Fundação Joaquim Chissano, antigo Presidente da República, lancou recentemente uma iniciativa de protecção da fauna bravia, alertando que a caça furtiva ameaça a segurança do País. A ver vamos se o acordo que será assinado amanhã vai mesmo travar o massacre de rinoceronte.
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