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Moçambique: Desminagem entra na fase final

  • Francisco Júnior

Alberto Augusto, Director Nacional de Desminagem de Moçambique

Alberto Augusto, Director Nacional de Desminagem de Moçambique

Estão por desminar 17 distritos e as autoridades governamentais acreditam que será possível conseguir alcançar esse objectivo até Dezembro próximo.

São as últimas minas de que oficialmente se tem conhecimento e que vão ser removidas até final deste ano, em Moçambique.

Em Moçambique o processo de desminagem começou em 1993, um ano depois da assinatura dos acordos de Roma, que puseram fim a um conflito que durou dezasseis anos e fez mais de um milhão de mortos.

E desde essa altura, já foi possível livrar o país das chamadas "batatas mortíferas" em pelo menos 111 dos 128 distritos do país.
Estão por desminar 17 distritos e as autoridades governamentais acreditam que será possível conseguir alcançar esse objectivo até Dezembro deste ano.

O principal desafio, segundo Alberto Augusto, Director do Instituto Nacional de Desminagem, é a província de Sofala, mais concretamente o distrito de Chibabava, onde se localiza o Posto Administrativo de Muxúnguè, região que desde o ano passado tem sido fustigada por ataques protagonizados por homens armados da Renamo.

Devido à situação de insegurança, os sapadores poderão ter dificuldades em trabalhar naquela área do centro de Moçambique.
A esperança é que o Executivo de Maputo e a Renamo, que estão há vários meses em negociações, na capital moçambicana, cheguem rapidamente a um entendimento definitivo que permita o retorno da paz.

E, como disse Alberto Augusto, em entrevista à Voz da América, outro grande desafio é desminar a fronteira entre Moçambique e o Zimbabué.
Com os outros países vizinhos, nomeadamente Zâmbia e Malaui, o trabalho de desminagem já foi feito.

E, m zonas fronteiriças, dizem os peritos, as operações são mais complexas, mais caras. Enquanto desminar Chibabava, por exemplo, pode custar entre um a um dólar e meio, por metro quadrado, desminar a fronteira poderá custar três dólares americanos, por metro quadrado.
No ano passado, o programa de desminagem absorveu um total de 15 milhões de dólares americanos.

Para este ano, as necessidades orçamentais estão calculadas em 17 milhões de dólares, dinheiro que o Director do Instituto Nacional de Desminagem acredita ser possível obter.
Alberto Augusto diz que os parceiros de cooperação estão entusiasmados pelo facto de Moçambique poder vir a ser o primeiro país a sair da lista dos cinco países mais minados do mundo e que, por isso, não deverá haver muitas dificuldades em convencê-los a "abrir os cordões à bolsa".

Este ano, das cinco províncias ainda com problemas, Maputo será a primeira a ser declarada livre de minas, numa cerimónia que está marcada para o dia 21 deste mês.
Em Moçambique, o trabalho de desminagem está a ser realizado por quatro operadores humanitários internacionais e cerca de cinquenta comerciais nacionais. No terreno, estão cerca de mil sapadores.

Apesar da clarificação de várias zonas, e de tudo o que já foi feito, ainda tem havido acidentes com minas e outros engenhos explosivos.
Em 2013, o Instituto de Desminagem de Moçambique registou cinco acidentes, que causaram a morte de pelo menos uma pessoa e o ferimento de dez outras.

As minas em Moçambique foram colocadas pelos portugueses, no tempo colonial, e mais tarde depois da independência nacional pelas tropas da Felimo e da Renamo.
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