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Militares na Guiné dizem que evitaram "agressão" angolana


Carlos Gomes Júnior foi levado pelos militares para parte incerta (foto de arquivo)

Carlos Gomes Júnior foi levado pelos militares para parte incerta (foto de arquivo)

Comunicado dos golpistas diz que havia plano secreto do governo para intervenção de Angola sob mandato da União Africana

As Forças Armadas da Guiné-Bissau apresentaram sexta-feira um autointitulado Comando Militar através do qual justificaram a intervenção armada como tendo sido feito em defesa da instituição contra uma alegada agressão externa.

Entretanto, a mulher do ex-Primeiro-ministro e vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, Carlos Gomes Júnior, disse que o mesmo foi levado da sua residência, quinta-feira à tarde num "pick-up" para lugar incerto. O presidente interino Raimundo Pereira, foi, também, levado pelos golpistas.

Em comunicado, o autointitulado Comando Militar diz que "não ambiciona o poder", mas alega ter sido forçado a agir para defender as Forças Armadas guineenses de uma suposta agressão que seria conduzida pelas Forças Armadas de Angola no âmbito da União Africana.

O Comando Militar afirma ter na sua posse um "documento secreto" que teria sido elaborado pelo Governo de Bissau mandatando as forças angolanas, ao abrigo da União Africana, para atacarem os militares guineenses.

"O Comando Militar está na posse de um documento secreto visando legitimar a intervenção de Angola, através de um mandato do Conselho de Segurança e Paz da União Africana. Esse documento redigido por juristas (cujos nomes os militares dizem não revelar por enquanto) é assinado pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e pelo Presidente interino, Raimundo Pereira", diz o comunicado.

"O Comando não ambiciona o poder, mas foi forçado a agir desta forma para se defender das investidas diplomáticas do Governo guineense, que visa aniquilar as Forças Armadas da Guiné-Bissau através de forças estrangeiras", salienta ainda o documento que deve ser lido na Rádio Nacional (única estação do país que foi autorizada a voltar a emitir).

O comunicado do autodenominado Comando Militar lembra ainda o facto de coincidentemente ser Angola o país que preside neste momento o Conselho de Paz e Segurança da União Africana, para dar ainda mais consistência às alegadas diligências com vista a uma alegada intervenção armada externa no país.

"O Conselho de Paz e de Segurança da União Africana é composto por 15 membros que o presidem rotativamente um mês cada, por coincidência quem preside ao órgão neste preciso momento é a República Angola", enfatiza o documento salientando ainda que um comunicado do Governo de Luanda deixava entender a possibilidade de uma intervenção armada na Guiné-Bissau.

"Esta pretensão do Governo guineense vem expressa no comunicado do Governo de Angola no seu último parágrafo", diz o texto do autodenominado Comando Militar, em alusão ao comunicado do Governo de Angola no qual é justificada as razões da retirada da Missão Técnica de Apoio ao processo de reforma do setor militar guineense (Missang).

Num outro comunicado, o Comando Militar apela ainda à população, sobretudo, a de Bissau, a se abster de actos de vandalismo e de violência que possam colocar em causa a ordem pública. Os dois comunicados não possuem assinatura de nenhum militar.

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