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Morte de líder da Etiópia suscita debate sobre o seu legado

  • Gabe Joselow

Primeiro Ministro Meles Zenawi (foto 2008)

Primeiro Ministro Meles Zenawi (foto 2008)

Meles foi elogiado por ajudar a Etiópia a sair da pobreza, após anos de guerra civil, e criticado por silenciar os adversários

O primeiro ministro etíope Meles Zenawi morreu aos 57 anos de idade após meses de especulação sobre o seu estado de saúde.


A televisão estatal anunciou a sua morte aludindo ao facto de se encontrar a recuperar no estrangeiro.

Após mais de vinte anos no poder o legado de Meles é controverso, já que guiou a Etiópia a um desenvolvimento rápido, embora silenciando toda a forma de dissensão.

O primeiro-ministro Meles ascendeu ao poder em 1991 através de um golpe, como principal responsável de uma aliança de grupos rebeldes denominada de Frente Democrática Revolucionaria do Povo Etíope.

A revolta pôs termo a uma ditadura comunista durante a qual dezenas de milhares de opositores ao governo foram presos ou executados.

Meles tem sido elogiado por ajudar a Etiópia a sair da pobreza após anos de guerra civil.

O partido governamental foi a extremos para incorporar na política nacional os objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Segundo a ONU, a Etiópia despendeu, nos últimos sete anos, 60 por cento das verbas na agricultura, na educação, a saúde e outros sectores de alívio da pobreza.

Meles definiu a sua filosofia de desenvolvimento num discurso proferido em 2010 na Assembleia Geral da ONU.

“Assumimos o controlo do nosso destino, concebemos a nossa estratégia, e mobilizamos ao máximo os recursos domésticos para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Fizemos o melhor uso da assistência internacional para suplementar os nossos esforços”.

Embora Meles com frequência minimizasse a eficácia da assistência estrangeira, a ajuda externa à Etiópia atingiu, em média, quase quatro mil milhões de dólares anuais entre 2008 e 2011, segundo dados do Banco Mundial.

O antigo embaixador dos Estados Unidos na Etiopia Tibor Nagy descreveu Meles como sendo um visionário com um plano claro para o futuro do seu país.

“Tive varias conversas privadas com o primeiro-ministro e ele nunca hesitou em afirmar que a Etiópia não podia ser uma nação pedinte. Era muito realista e não hesitava em o afirmar”.

Meles foi igualmente conhecido por ser um aliado dos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo.

Grupos de direitos humanos criticam desde há muito o governo etíope por suprimir as vozes da oposição limitando a liberdade de expressão e de reunião.

A situação dos direitos humanos piorou após as eleições de 2005, com os partidos da oposição a sustentarem que foram viciadas. Quase 200 pessoas morreram na violência pós eleitoral e nos protestos.

Nos últimos anos os tribunais etíopes condenaram jornalistas e activistas da oposição a longas penas de cadeia ao abrigo da legislação antiterrorista.

Durante quase a totalidade do regime de Meles, a tensão entre a Etiópia e a vizinha Eritreia permaneceu elevada. Os dois países travaram uma guerra de fronteira de 1998 a 2000 que custou a vida a mais de setenta mil pessoas.

O exército etíope interveio por duas vezes na vizinha Somália para confrontar os militantes islâmicos alegadamente apoiados pela Eritreia.
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