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Medidas económicas levantam sérias dúvidas no Brasil

  • Maria Cláudia Santos

Brasileiros apreensivos

Brasileiros apreensivos

Mercado reagiu bem, mas consumidor diz que vai pagar mais para tapar os buracos da economia brasileira.

Os cidadãos brasileiros criticam, mas o mercado financeiro reagiu bem ao primeiro pacote de medidas anunciado pela nova equipa económica da presidente Dilma Rousseff.

O motivo da insatisfação popular com o primeiro anúncio de grande impacto da nova gestão da presidente brasileira é claro. A factura das acções para reequilibrar as contas públicas do Brasil, incrementar o Tesouro do país e acalmar o investidor vai ser feita com o sacrifício de quem paga impostos.

O novo ministro da Fazenda Joaquim Levy anunciou o aumento dos tributos da gasolina, importados e a crédito, que já pesavam muito no bolso do cidadão. Além disso, o pacote inclui o retorno de impostos que os brasileiros gostariam de esquecer, como a Cide, tributo regulador do preço de combustíveis, que estava a zero desde 2012.

Com estas medidas, o Governo espera colocar 20 mil milhões de dólares em caixa, entre outros resultados, como explica o ministro brasileiro da Fazenda. “No conjunto, as medidas são para aumentar a confiança, a disposição das pessoas de investirem no Brasil, correrem riscos e os empresários começarem a pensar novas coisas. Isso vai se reflectir nos indicadores financeiros,” afirmou.

Especialistas estão preocupados e acreditam que ainda não é possível dizer se o pacote vai gerar o resultado positivo esperado. Para o economista César Medeiros, por exemplo, são reais os riscos de um efeito contrário, negativo. “As medidas tomadas pela Fazenda não prejudicam os programas sociais que o governo vem implementando, há mais de dez anos. O que pode prejudicar é o consumo. Prejudicando o consumo e não tendo compensação com o investimento podemos ter desemprego. Se as medidas tiverem, portanto, muito peso sobre o consumo elas serão bem negativas”, explica Medeiros.

Além de tentar passar confiança total nas medidas económicas anunciadas, o Governo brasileiro tem outro grande desafio. A oposição articula para cobrar explicações da gestão petista pelo apagão, dessa segunda-feira, que afectou 10 Estados brasileiros e o Distrito Federal. Foram atingidos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Para Raimundo Batista, consultor da área energética, o problema tem tudo para se estender e ficar ainda mais grave. “Essa situação é devida ao momento que nós estamos vivendo com uma estiagem muito grande, os principais reservatórios do Brasil estão próximos do limite mínimo. Sem chuvas não há como recuperar esses reservatórios, responsáveis por regularizar a geração de energia do sistema na região Sudeste do País. Esse é o problema maior que estamos vivendo hoje”, explicou Batista.

O director da Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, Reive Barros explica que o desligamento da energia eléctrica evitou um mal maior, o colapso nas usinas sobrecarregadas pelo grande demanda e pouca chuva. A alegação é contestada por outras correntes, que reúnem opositores e especialistas, apontando que, além das condições climáticas, a falta de planeamento e da conclusão de hidreléctricas são os grandes responsáveis pelo apagão brasileiro.

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