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Medidas de combate ao zika no Brasil podem ser ineficazes no período do Carnaval

  • Patrick Vaz

 Carnaval do Rio de Janeiro

Carnaval do Rio de Janeiro

É neste período que o mosquito aedes aegyti mais ataca.

O período de Carnaval, marcado por ondas de calor e chuvas no Brasil, é geralmente aquele em que o mosquito aedes aegyti transmite com mais rapidez as suas doenças conhecidas, como zika, dengue, febre amarela e chikungunya.

A forma principal de contaminação ainda é pela picada do pernilongo, mas recentes estudos realizados no país pela Fiocruz mostram que também foi encontrado o vírus zika na saliva e na urina humana, ou seja, pode ser transmitido pelo contágio entre pessoas.

Embora ainda em fase inicial de pesquisas, o alerta está em todos os lugares.

Combate ao vírus zika

Combate ao vírus zika

O médico sanitarista Apolo Heringer reforça a tese que essas pesquisas ainda não são conclusivas, mas a população deve se prevenir de todas as formas.

“Você falar isso (transmissão do zika vírus entre pessoas) do ponto de vista científico hoje é muito complicado. Se realmente há transmissão pela saliva, pessoas beijarem umas as outras podem transmitir esse vírus ou através da relação sexual. Ainda não é algo conclusivo, mas há sim uma série de evidências que estão sendo pesquisadas”, disse.

O Governo federal já anunciou medidas de combate ao mosquito, sobretudo com auxílio das Forças Armadas.

A cada dia, militares visitam locais que apresentam mais riscos de proliferação dessas doenças e orientam a população.

Entretanto, essa forma de trabalho não deve resolver o problema conforme Apolo Heringer, pois há também outros empecilhos.

“Não há no Ministério da Saúde, nem mesmo nas secretarias locais de saúde, uma continuidade dos trabalhos com pessoas competentes durante muitos anos. A cada ano eleitoral mudam as pessoas que estão no Governo e todo o trabalho começa a ser refeito, sem continuidade. Outra questão é que os agentes de combate ao mosquito aedes aegypti têm uma baixa remuneração e são pouco preparados para desenvolverem suas funções”, critica Heringuer

Aquele especialista também aponta possíveis soluções de enfrentamento ao mosquito.

“Acho que o Governo deveria chamar os biólogos para realizarem esse trabalho. Outra questão é resolver os problemas da falta de saneamento básico, de moradias em condições precárias, além da má qualidade de ensino nas escolas e professores desmotivados. O mosquito quando prolifera muito indica a baixa qualidade de vida em nossas cidades”, ressaltou.

Apolo Heringer também acredita que não deve surtir efeito a vacina que será produzida pelo Governo para combater as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti.

“Para solucionar essa questão implica-se em conceder melhores moradias à população. E também não adianta jogar fumacê, agrotóxicos para matar o mosquito pois é um veneno, é tóxico e faz mal à população e aos animais”, concluiu o especialista.

Brasil é o país mais afectado pelo vírus zika, que já levou a Organização Mundial da Saúde a declarar estado de emergência global.

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