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Subsídios atrasados podem conduzir a greve da saúde na Zambézia

  • Simião Pongoane

Maputo

Maputo

Médicos e enfermeiros queixam-se que estão há dois meses sem os subsídios, mas recusam em falar abertamente sobre a eventualidade convocação da greve

Pessoal da Saúde na Zambézia está descontente por causa do atraso do pagamento de subsídio de turno que se arrasta há dois meses.

O subsídio atrasado afecta enfermeiros e técnicos de medicina em todos os distritos da província da Zambézia, a segunda mais populosa de Moçambique depois de Nampula.

O pessoal afectado, que por enquanto evita dar cara e voz à comunicação social, fala em pelo menos embarcar numa greve silenciosa.

A fúria do pessoal da Saúde tem sido descarregada sobre os doentes que recorrem às unidades sanitárias do sector público, em forma de mau atendimento ou cobranças ilícitas.As autoridades centrais da Saúde estão sob alerta, mas ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Entretanto, no Hospital Central de Maputo mais de três mil pessoas morreram entre Janeiro e Setembro deste ano de um total de 43 mil doentes atendidos no mesmo período.

Segundo o Director-Geral do maior hospital do País, João Fumane, a maior parte dos doentes morreu de SIDA e de hipertensão arterial primária.

“Temos que ter consciência de que a nossa saúde é um bem precioso que devemos cuidá-lo. Os factores de tensão arterial são conhecidos: consumo de cigarro, sal em excesso na comida, sedentarismo e stress. É preciso que vejamos a nossa tensão, através de controlo regular e permanente. Não é necessário que seja no Hospital Central de Maputo, porque noutras unidades sanitárias há condições para a medição da tensão arterial. Sabe que 50 por cento das pessoas que apanham AVC (Acidente Vascular Cerebral), vulgarmente conhecido por Trombose, perdem a vida a caminho de hospital”- disse João Fumane

O Hospital Central de Maputo, considerado o segundo maior de África, depois do Baragwanath, na África do Sul, funciona com trezentos médicos e 600 enfermeiros, mas o seu Director-Geral diz que este número representa metade dos profissionais necessários para providenciar melhor atendimento ao público.

Com a expansão do sector privado de saúde em Moçambique, as unidades sanitárias do sector público estão a perder profissionais.

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