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A Calma Regressa à Capital Moçambicana

  • Francisco Júnior

As escolas, algumas, funcionaram, mas, por causa da ausência de alunos e professores, não houve aulas.

Situação mais calma, em Maputo e Matola. Titubeantes, os transportadores públicos voltaram a fazer-se à estrada. Os privados também, mas em número reduzido. Eram poucas as viaturas de transporte privado, mais conhecidos por chapa-cem.
Por recear um possível ataque, por parte das pessoas que se manifestaram, nos dois últimos dias, muitos preferiram manter os carros parqueados....
Jacinto Gil, um dos transportadores semi-colectivo de passageiros, em Moçambique conhecidos por chapa-cem.
O medo ainda prevalece, embora já se sinta um ambiente de relativa acalmia, depois de violentos tumultos protagonizados, na sua maioria por adolescentes e jovens.
Confrontos que forçaram muitas pessoas a abandonar as suas casas, refugiando-se em zonas mais seguras.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com Antónia Chemica. Ela vive na Liberdade, na cidade da Matola, mas trabalha em Maputo, numa empresa pública. E quando os distúrbios começaram, ela estava no seu local de trabalho, tendo, optado, por ficar na residência de uma irmã, na capital moçambicana, onde se encontra até hoje. E como fora apanhada de surpresa, nem tempo teve de preparar fosse o que fosse.
A senhora Antónia Chemica teve de comprar tudo o que precisava para as necessidades imediatas, às pressas..
Antónia Chemica não sabe como os seus bens estão, no bairro onde vive, mas diz que só irá para lá quando tiver absoluta certeza de que a situação está controlada.
E a vida, em Maputo e Matola, parece estar a regressar à normalidade.
Muitas repartições públicas abriram as portas, estalebelecimentos comerciais e outros serviços também. As escolas, algumas, funcionaram, mas, por causa da ausência de alunos e professores, não houve aulas.
Repletas estiveram as padarias e os postos de venda de energia eléctrica.Longas filas de pessoas.
Pessoas que antes não se arriscavam a sair de casa, temendo as incursões dos manifestantes, e que garantiram não se importar em permanecer, durante largo tempo, à espera até chegar a sua vez de comprar pão.
E o proprietário da padaria onde a reportagem da Voz da América esteve, diz que não é normal haver tanta fila. Só nesta quinta-feira, Farouk Mussá diz ter conseguido vender mais de cinco mil pães, tendo a sua padaria estado a funcionar até altas horas da noite, de modo a dar vazão ao elevado número de clientes. Por enquanto, o tarifário não foi mexido, mas, na próxima semana, diz o panificador Farouk Mussá, o preço vai ter que ser reajustado.RM...
E mesmo que o preço do pão seja agravado, há quem diga que, mesmo assim, não vai deixar de comprar.
E as filas não eram apenas nas padarias. Também à porta dos postos de venda de energia eléctrica se podia ver muita gente.
Gente que não saíra de casa, nos dias anteriores, igualmente com medo dos tiros e da violência.
Depoimentos de cidadãos, em Maputo, falando à Voz da America nesta sexta-feira, dia 3 de Setembro. Dia em que a vida parece ter regressado à normalidade nas cidades de Maputo e Matola.

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