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Mandela/Brasil - o politico mais activo na luta contra discriminação racial

  • Maria Cláudia Santos

Mural a Nelson Mandela em Joanesburgo

Mural a Nelson Mandela em Joanesburgo

Literatura brasileira define Nelson Mandela como o político mais atuante na luta contra a discriminação racial e um ícone internacional na defesa das causas humanitárias

Muitos livros brasileiros de história e sites didáticos definem Nelson Mandela como o político mais atuante na luta contra a discriminação racial, instaurada pelo apartheid, que se transformou em um ícone internacional na defesa das causas humanitárias.

É assim que o líder sul-africano, que morre deixando um legado histórico para o mundo inteiro, é apresentado aos estudantes nas escolas do Brasil.

Os brasileiros conheceram Nelson Mandela mais de perto em agosto de 1991, quando, depois de ter passado 27 anos preso, o líder africano percorreu o mundo levando a mensagem de igualdade entre os povos.


Mandela passou seis dias em território brasileiro. Visitou São Paulo, Brasília e, no Rio de Janeiro, foi recebido por cerca de 50 mil pessoas no sambódromo carioca, ao som de sambas de Martinho da Vila que compôs a música “Meu homem – Carta a Nelson Mandela”, inspirada em documento escrito por Winnie Mandela. No Brasil, Nelson Mandela disse que tinha a sensação de estar em casa.

Os brasileiros que estiveram perto do africano não vão tirar a cena da memória, apesar de terem consciência de que o líder sul-africano não precisaria ter colocado os pés por aqui para deixar sua marca indelével.

Para o jornalista Eduardo Costa, que se recorda da passagem do sul-africano pelo Brasil, Mandela deixou um legado de esperança por onde passou e por onde nunca esteve. Para os brasileiros, em especial, trouxe muitos ensinamentos, dos quais ele destaca principalmente um. “O brasileiro é um povo tão persistente que nós naturalmente criamos o slogan: “sou brasileiro e não desisto nunca”. A vida de Mandela foi à moda brasileira. Esse é um dos grandes legados de Mandela a mensagem de que por pior que seja a situação, por mais que o dia esteja escuro, acredita que amanhã vai ser tudo melhor”, diz.

“Quando penso em Mandela me lembro da frase que diz que o homem não pode viver só de sonhos, mas não pode viver sem sonhar. Mandela sonhou a vida inteira, realizou e fez um mundo melhor”, conclui o jornalista.

A jornalista Kátia Pereira era adolescente no ano da visita de Mandela ao Brasil e também acredita na imortalidade da memória do sul-africano para os brasileiros e cidadãos de todos os lugares do mundo. “Nelson Mandela é para nós brasileiros um exemplo a ser seguido pela humanidade. É por um gesto nobre que ele nunca poderá ser esquecido pela história: o perdão. Depois de um extremo sofrimento alguém pode pensar em vingança. Mas Mandela teve a inteligência de abrir mão de pagar na mesma moeda para defender que o mundo precisa é de reconciliação, perdão e igualdade”.

Vicente de Oliveira, criador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), lembra o peso da influência de Nelson Mandela para os movimentos negros e estudiosos das questões relacionadas aos negros africanos e seus descendentes.“Mandela foi o inspirador, o ícone de todos os pensadores da questão afro, não só no Brasil, mas no mundo. Mandela trouxe uma reflexão muito grande, no caso do Brasil isso vinha pensada desde Zumbi, mas Mandela foi quem fechou essa discussão com “chave de ouro” para o Brasil e para o Mundo”, afirma.

“Mandela conseguiu trazer essa discussão de África perante o mundo. Todos nós seguimos, de alguma forma, a sua postura de líder, de libertário”, completa Vicente Oliveira.

Afro-brasileiros e africanos que vivem ou passam pelo Brasil, fazendo deste país uma nação irmã da África, também lembram a mensagem universal que Mandela deixou. Peregrino da Costa, de São Tomé e Príncipe, destaca que o líder deixa uma das lições mais importante para o mundo em qualquer época. “É o maior ensinamento da democracia, de viver com os outros, de viver em liberdade”.

Orlando Manoel, de Angola, também destaca o legado universal de Mandela. “Mandela conseguiu fazer com que todos, brancos, negros e mestiços untassem todos em um único ideal. Um exemplo ao mundo de que não devemos ser revanchistas para sim vermos o futuro e transformarmos o mundo em um lugar bom para se viver”, afirma.
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