Links de Acesso

Exército maliano está em direcção a Kidal

  • Anne Look

Soldados do grupo rebelde MNLA num comboio de veículos na cidade de Kidal - Fev 2013

Soldados do grupo rebelde MNLA num comboio de veículos na cidade de Kidal - Fev 2013

Cidade no norte do Mali, Kidal tem sido até ao momento a única zona fora do controlo das forças armadas malianas depois da libertação do norte do país pelas forças francesas e nigerinas

O Mali é citado como tendo tudo preparado para que as suas tropas reassumam o controlo da cidade de Kidal no norte do país. A cidade está actualmente sob o controlo do grupo separatista tuaregue MNLA, que diz-se pronto a negociar mas que não se desarmaria antes dessas negociações e que não iria permitir a entrada do exército maliano aquela cidade.

Fontes das forças armadas malianas na cidade nortenha de Gao disseram à Voz da América que um número considerável de tropas e de polícias militares deixou a cidade com destino ao norte em direcção de Kidal.

Um porta-voz militar em Bamako disse a jornalistas ontem que a libertação de Kidal é o objectivo principal mas declinou em avançar mais detalhes, afirmando que “esses pormenores seriam vistos nos dias que se seguem.”

Contudo persistem questões, se o exército maliano poderia realmente ou se deveria atacar Kidal. Não é ainda claro se o noticiado movimento de tropas e as reportadas declarações de uso da força apenas destinam-se a forçar as negociações.

Kidal continua sendo um ponto sensível no Mali. Muitos insistem que o seu estatuto ambíguo deve ficar esclarecido antes mesmo das eleições que podem ter lugar em Julho.

Kidal é a única maior cidade do norte do Mali que ainda não está sob o controlo do exército maliano desde que as forças francesas chegaram ao país e levaram a cabo a operação que escurraçou os militantes ligados a al-Qaida das cidades da região.

A mesma cidade de Kidal é o berço do grupo separatista, MNLA (Movimento Nacional para a Liberação de Azawad), um grupo que luta pela independencia do norte, iniciada em Janeiro de 2012 e amplificada dois meses mais tarde pela ainda persistente crise política nacional.

Ambos, tanto o MNLA como o governo tinham afirmado publicamente que pretendiam negociar, mas as conversações até ao momento não tiveram o início. O governo já impôs condições, tendo exigido como primeira acção, o desarmamento dos rebeldes.

Entretanto um grupo de proeminentes tuaregues, de chefes locais e responsáveis eleitos de Kidal criaram um Alto Conselho de Azawad (território ao norte do Mali) no dia 2 de Maio. O conselho está a tentar federar os membros dos grupos armados em Kidal, incluindo o MNLA, afim de se engajarem em negociações.

O presidente desse conselho, Mohamed ag Intallah disse que a reconciliação é a principal prioridade e pediu mais tempo as autoridades malianas para poderem se organizar.

Intallah disse que o Conselho pede ao governo maliano o fim das hostilidades, a suspensão das operações militares de forma as lhes dar uma oportunidade para uma solução pacífica. Para ele o objectivo é trazer juntos os residentes de Azawad em torno da mesa de conversações.

Mohamed Intallah é uma influente figura em Kidal. É o mais velho dos filhos do chefe tribal tradicional da região, mas não é ainda claro, quanto apoio popular dispõe o recém-criado Alto Conselho de Azawad no interior do MNLA.

O MNLA por sua vez acusou o governo maliano pelo impasse e adiantou que cabe ao executivo dar prova de mais seriedade no processo.

Mostrar Comentários

XS
SM
MD
LG