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Militares malianos forçam Primeiro-ministro interino a demitir-se

  • Anne Look

Primeiro Ministro Cheikh Modibo Diarra

Primeiro Ministro Cheikh Modibo Diarra

A saída de Diarra não foi um golpe de estado já que o presidente Traore se mantêm em funções

No Mali o primeiro-ministro interino demitiu-se de funções após ter sido detido por militares leais à junta que derrubou, em Março passado, o governo eleito daquela nação africana.

O exército maliano, ou pelo menos parte dele, voltou a assumir assuntos de Estado.

Soldados prenderam o antigo Primeiro-ministro interino, Cheike Modibo Diarra, na sua residência, quando se preparava para partir para França.

Horas mais tarde Diarra resignava, através da televisão, do cargo, tendo falado inicialmente em Bambara e depois em Francês, parecendo estar a ler a partir de uma declaração preparada.

Diarra afirmou que ele, e o seu gabinete se demitiam no interesse da paz. Pediu desculpa a todos os malianos que sofrem com a crise. Agradeceu aos seus colaboradores e desejou boa sorte à nova equipa que lhe sucederá.

Não deu qualquer explicação para a demissão, e aparentemente permanece sob detenção domiciliária em local desconhecido.

O Mali continua a ser afectado pelo golpe militar de 22 de Março. Militantes ligados à al-Qaida ocuparam a metade norte do país, enquanto o sul continua envolvido numa luta pelo poder entre elementos civis e militares.

Um porta-voz da junta militar, Bakary Mariko, afirmou à Voz da América que Diarra teve de ser afastado por que estava a bloquear as instituições. Mariko acentuou que o governo interino não pode ter duas cabeças.

Segundo Mariko, o Mali não estava a falar com uma só voz, pois o presidente e o primeiro-ministro não estavam de acordo em nada.

A mesma fonte precisou que o primeiro-ministro tinha duas missões essenciais – libertar o Norte e organizar eleições transparentes.

Sublinhou ainda que o primeiro-ministro tinha um objectivo – tentar manter-se no poder e preparar a candidatura para as eleições.

Mariko acrescentou que a saída de Diarra não foi um golpe de estado já que o presidente Traore se mantem em funções.

Mariko acrescentou que a nomeação de um novo primeiro-ministro constitui a prioridade, já que terá de designar um novo gabinete e apresentar um plano para lidar com a crise no Norte.

Foram necessárias varias tentativas e meses de tensão para que os malianos chegassem a acordo em Agosto passado num governo de unidade nacional, formado então por Diarra.

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