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Mali: A necessidade aguça o engenho

  • Anne Look

Islamitas no Mali

Islamitas no Mali

Centenas de milhares de pessoas fugiram da região norte do Mali, e a vida para os que ali permanecem é cada vez mais difícil

O dinheiro tem sido escasso na cidade nortenha do Mali de Gao, desde Abril passado quando grupos armados ocuparam a localidade e pilharam os bancos, as empresas e os edifícios públicos.


Numa estação de camionetas de Bamako, existe um mercado negro tipo Western Union que se transformou numa linha de vida para o Norte, permitindo às pessoas enviar dinheiro para os familiares em Gao num espaço de uma hora.

A empresa de autocarros Binke Transport leva diariamente pessoas da estação em Bamako para a cidade ocupada de Gao. A viagem dura cerca de 18 horas.

Todavia, se formos pela entrada lateral por detrás do balcão de bilhetes, encontramos um pequeno escritório onde se pode colocar dinheiro, em poucos minutos nas mãos, dos familiares ou associados que se encontram em Gao.

Um estudante universitário, de nome Maiga, entra no escritório, e necessita de enviar 50 dólares para a mãe que se encontra em Gao.

O responsável anota toda a informação num bloco pequeno antes de dobrar o dinheiro que recebeu de Maiga, num maço de notas. Envia uma mensagem para o contacto em Gao.

Maiga diz que a Mãe necessita de ir ao mercado para comprar alimentos e outras coisas necessárias.

Este género de transferência não oficial de dinheiro não é algo de novo para a Binke e outras empresas de autocarros no Mali.

Conhece agora uma nova importância desde que em Abril grupos armados assumiram o controlo do Norte, incluindo Goa e duas outras cidades.

Centenas de milhares de pessoas fugiram da região, e a vida para os que ali permanecem é cada vez mais difícil.

Os residentes em Gao indicam que os militantes da al-Qaida abastecem os mercados com alimentos e outros bens enviados ilegalmente da Argélia. Os residentes possuem pouco dinheiro.

O funcionário da Binke indica receber, diariamente, cerca de 60 transferências, um aumento significativo do registado antes da crise.

Ele refere que o dinheiro nunca passa fisicamente dele para os associados em Gao por ser um enorme risco de segurança. As transacções fazem-se nos dois sentidos.

Um empresário de Bamako, que preferiu indicar chamar-se Cisse, vem receber 200 dólares enviados pelo irmão mais novo.

O empresário indica que a Binke aplica uma pequena taxa pela transferência – uma vez que isto é um serviço – mas que é bastante menor do que uma empresa iria fazer, para cobrir as despesas como aquelas, incluindo as chamadas telefónicas para esclarecer erros ocasionais.
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