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Malária: Estará o mundo a ganhar a luta contra a doença?


O mundo está a ganhar a Guerra contra o paludismo. Um enorme aumento no financiamento verificado nos últimos dez anos para programas de controlo e tratamento reduziu o número de mortes por paludismo (ou malária) em cerca de 50% em todo o mundo.

A redução é ainda mais elevada na Africa subsaariana – segundo a Organização Mundial de Saúde. Os programas anti-palúdicos salvaram cerca de quatro milhões de vidas, na sua maior parte de bebés e jovens em África.

O maior incentivo ocorreu quando o então Presidente americano George W Bush lançou a "Iniciativa Presidencial anti-Paludismo". A iniciativa ofereceu milhões em redes mosquiteiras, pulverização anti mosquito, e medicamentos. E ajudou trabalhadores de saúde a diagnosticar e a tratar pacientes com paludismo.

Fatoumata Nafo-Traore coordena os esforços anti-palúdicos internacionais ao abrigo da parceria “Fazer Recuar o Paludismo”. A especialista diz que a contribuição americana ajudou os países em desenvolvimento a reforçar os seus sistemas de cuidados de saúde contribuindo ao mesmo tempo com dinheiro para medicamentos e testes de rápido diagnostico.

"Numa vila, pode usar o teste e saber o resultado em 10-15 minutos, e assim providenciar tratamento a qualquer pessoa com paludismo", disse a dra. Nafo.

O Presidente Obama renovou o financiamento desta iniciativa por mais seis anos. O objectivo é o de reduzir o actual número de mortes em um-terço e erradicar a doença até 2050. A dra. Nafo, como é conhecida, diz não ser suficiente

"Desde 2000, o nível de financiamento para o paludismo aumentou dez vezes – de 200 milhões de dólares para dois mil milhões, mas continuamos com 50% menos de recursos necessários para a luta global anti palúdica", adiantou aquela médica.

Duas coisas estão a acontecer neste momento que ameaçam os ganhos obtidos até agora. Em África, os mosquitos estão a desenvolver resistência aos insecticidas mais usados. Há outros disponíveis, mas são mais dispendiosos. Na ásia, o parasita pode estar a desenvolver resistência à artemisina, a principal droga anti-palúdica ali usada. A artemisina continua a ser eficaz, mas são agora precisas mais doses e por um período mais longo antes da pessoa conseguir recuperar. Os investidores estão preocupados que esta seja o primeiro sinal para que se verifique um resistência total a este medicamento.

William Moss, do Instituto de Investigação do Paludismo John Hopkins, em Lubumbashi, na fronteira entre a República democrática do Congo e a Zâmbia, falou do que é agora necessário.

"Precisamos de intensificar os nossos esforços para controlar a resistência à artemisina no sueste asiático", defendeu Moss.

Moss diz que a resistência a este medicamento pode eventualmente estender-se a Africa, onde se regista a maioria dos casos de paludismo. Da mesma forma como viajar entre os vários países da Africa ocidental ajudou no alastramento da epidemia do Ébola, o mesmo pode acontecer com a resistência ao medicamento anti palúdico. O controlo desta doença, afirma, tem que envolver um esforço regional.

"Caso não seja feito em conjunto, os sucessos e os ganhos num país podem ser minados pela importação do paludismo dos países vizinhos", explicou.

William Moss diz que se pode conseguir uma maior redução do número de mortes por paludismo. Contudo, este é um objectivo que vai ser cada vez mais um desafio com o aumento da resistência aos insecticidas em Africa e ao medicamentos na Asia.

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