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Ninguém deve morrer de malária

  • Jaime Faria

Ninguém deve morrer de malária

Ninguém deve morrer de malária

Resultados de um ensaio clínico à vacina experimental da malaria RTS,S mostram que fornece protecção significativa aos jovens africanos

Apenas quatro países eliminaram a malária (ou paludismo) até agora, mas a Gâmbia, Ruanda, São Tomé e Príncipe e Madagáscar estão a acelerar esforços para erradicá-la.

Na zona sul da África a doença pode desaparecer num futuro não muito distante, disse a Organização Mundial de Saúde.

Num novo relatório do grupo Roll Back Malaria (RBM), intitulado “Eliminar a malária, aprendendo do passado, e olhando para o futuro”, altos funcionários da OMS dizem que todos os anos, 225 milhões de pessoas sofrem casos de malária. Quase 800 mil crianças morrem anualmente em África vitimadas por esta doença tropical.

Os números são completamente inaceitáveis para uma doença que é inteiramente prevenível e tratável, disse Robert D. Newman, director do programa global da OMS contra a malária, e Zsuzsanna Jakab, a directora regional da OMS para a Europa.

Em 2011, com as ferramentas altamente eficazes que temos disponíveis, ninguém deveria morrer de malária, disseram eles num relatório.

Com uma melhoria dessas ferramentas estima-se em 1,1 milhões de vidas que se salvaram em África desde do ano 2000, e a grande maioria das que ocorreram nos últimos cinco anos, quando a ampliação de intervenções começou em força.

O relatório foi lançado em Seattle, Washington, durante a abertura do Fórum Malária da Fundação Bill and Melinda Gates.

Sob a palavra de ordem, “Optimista e Urgência”, o fórum contou com destacados peritos mundiais em Saúde, entre eles os directores da OMS Newman e também líderes africanos de programas públicos e privados de malária, bem como funcionários de laboratórios de medicamentos.

Relativamente aos progressos alcançados em África, o RBM disse que o Lesoto, Maurícias e as Ilhas Seychelles não são endémicas para a malária, a Argélia encontra-se na terceira de quatro fases para atingir este objectivo, e Cabo Verde na segunda fase.

Segundo a OMS são quatro as fases: controlo da malária, pré-eliminação, eliminação e prevenção da reintrodução da doença.

Em países com taxas de transmissão persistentemente elevadas, reduzir marcadamente o contacto do mosquito-ser humano, melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e reduzir a prevalência de parasitas em seres humanos, são fundamentais para atingir as reduções dramáticas na transmissão.

Enquanto isso, os resultados de um alargado ensaio clínico de uma vacina experimental da Glaxo Smith Kline, conhecida pela sigla RTS,S reduziu para metade o risco de crianças africanas contraírem a malária, o que poderá levar a que se torne a primeira vacina do mundo contra a doença.

Os primeiros resultados de um ensaio clínico de grande escala da fase III de RTS,S publicado pelo “New England Journal of Medicine”, indicam que a vacina experimental contra a malária fornece aos jovens africanos uma protecção significativa contra a malária clínica e grave, com uma segurança aceitável e bom perfil de tolerabilidade.

Os testes clínicos conduzidos em 11 locais de sete países da África Sub-saariana mostraram que três doses da vacina RTS,S reduzem o risco de crianças contraírem malária clínica e grave entre 56% a 47%.

Esta análise foi efectuada com base em dados das primeiras seis mil crianças (com idades entre o cinco meses e os 17 meses) durante um período de 12 meses após a vacinação.

A malária clínica resulta em febres altas e tremuras. Pode evoluir rapidamente para malária severa provocando problemas graves no sangue, cérebro ou rins que podem ser fatais.

Estes primeiros resultados da fase III estão em linha com os anteriores estudos da fase II. A cobertura alargada de redes mosquiteiras tratadas com insecticidas (números usados neste estudo) indicou que o RTS,S pode fornecer protecção para além da já oferecida pelas intervenções tradicionais.

Os testes clínicos continuam e os seus resultados sobre eficácia e segurança em crianças entre as seis e as 12 semanas deverão ser conhecidas no final do ano de 2012.

Esses dados fornecerão um entendimento da eficácia da vacina contra a malária RTS,S neste grupo etário, tanto para a malária clínica como para a severa.

Uma análise de episódios de malária severa até agora anunciados em cerca de 15 mil bebes e crianças, entre as seis semanas e os 17 meses, mostram 35% de eficácia entre os 0-22 meses.

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