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Mais de metade dos brasileiros não se interessa pelas eleições

  • Maria Cláudia Santos

Candidata Marina Silva

Candidata Marina Silva

Apesar da proximidade da disputa presidencial, o eleitor está desinteressado

A 40 dias das eleições para escolha de Presidente, governadores, deputados e senadores, o desinteresse dos brasileiros pela corrida eleitoral é grande, visível e preocupante. Pesquisas comprovam a apatia do eleitor no país que vai às urnas no dia 5 de Outubro.

Nem a reviravolta na disputa presidencial, provocada pela morte do candidato à presidência Eduardo Campos (PSB), parece ter alterado o quadro de falta de envolvimento da população brasileira com a escolha política que vai definir os próximos quatro anos do país.

Apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, nas ruas é muito comum encontrar brasileiros, de todas as idades e classes sociais, que não sabem nem quais são os cargos em disputa nas eleições deste ano. A maioria se diz desmotivada com a política no país de tantas carências.

Uma pesquisa, realizada pelo instituto CNT/MDA depois do início da campanha eleitoral, confirma a falta de motivação do brasileiro percebida nas ruas. A maioria dos entrevistados disse ter pouco (30,9%) ou nenhum interesse (27,4%) no pleito para a escolha presidencial, o que totaliza 58,3%.

Povo desinteressado porque...

Para o deputado estadual Fernando Hugo (SD), do Ceará, o desinteresse do brasileiro tem origem na corrupção na política. Já para cientistas políticos, outros motivos também colaboram para esse desânimo. Entre eles, a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT), da Presidente Dilma Rousseff, ao poder. Depois de anos de campanha prometendo propostas diferentes das apresentadas pela oposição, a legenda teria criado um expectativa de mudança muito grande. No entanto, três mandatos presidenciais depois, o clima de esperança teria ficado para trás, criando no país "uma melancolia democrática".

O não envolvimento do brasileiro com as eleições tão próximas também estaria sendo alimentado pelo horário eleitoral gratuito. O programa, transmitido em cadeia obrigatória de rádio e TV no Brasil, falha, para analistas, por não trazer um debate de idéias entre os candidatos, capaz de envolver os eleitores.

Além disso, proibições de 2006, como a de realização de shows em comícios de candidatos, teriam tirado das eleições brasileiras o clima de festa da democracia, o que pode ter ajudado, ainda mais, a deixar a população distante da disputa.

Esse distanciamento do brasileiro da política preocupa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem feito publicidade institucional para estimular o eleitor a comparecer às urnas no dia 5 de Outubro. Nas eleições presidenciais de 2010 houve 36 milhões de votos brancos e nulos. Há uma preocupação para este ano, por parte do TSE, de que esse número aumente, comprometendo a legitimidade do pleito.

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio, acredita que entre as soluções para a apatia política do brasileiro estaria o fim da obrigatoriedade do voto no Brasil. A obrigação, para ele, transforma a participação política em algo enfadonho no país. Para o ministro, votar no Brasil deveria ser o exercício de um direito e não de uma o obrigação.

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