Links de Acesso

Mais de 100 profissionais de comunicação mortos em 2015

  • Redacção VOA

Relatórios dos Repórteres Sem Fronteiras e do Comité de Protecção de Jornalistas revelam números assustadores.

Mais de 100 profissionais de comunicação morreram em 2015 em todo o mundo, revelou esta terça-feira, a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com sede em Paris.

Outra organização de defesa da liberdade de imprensa, o Comité de Protecção dos Jornalistas (CPJ), com sede em Nova Iorque, publicou hoje também um relatório em que aponta para 69 jornalistas mortos em virtude de seu trabalho em 2015, 40 por cento dos quais nas mãos de grupos militantes islâmicos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

A RSF diz que a maioria das mortes aconteceu em países supostamente pacíficos, como o México e França.

O levantamento anual daquela organização revelou que 67 jornalistas foram mortos enquanto trabalhavam e outros 43 morreram em circunstâncias ainda não determinadas.

Além deles, mais 27 cidadãos que trabalhavam como jornalistas não profissionais e sete funcionários de meios de comunicação também foram mortos.

Enquanto em 2014, dois terços dos jornalistas foram vítimas em zonas de guerra, este ano, aconteceu o contrário: dois terços foram mortos em países supostamente pacíficos, entre eles o Brasil e a França.

O Iraque lidera com 11 assassinatos, seguido da Síria, com 10, e França, com oito, na sequência do ataque contra a revista satírica Charlie Hebdo em Janeiro.

Também como oito, o México lidera na América Latina, região que teve 67 profissionais da informação mortos.

Em todo o mundo, há actualmente 54 jornalistas feitos reféns, contra 40 em 2014, apesar de haver neste ano menos sequestros do que no anterior.

A ONG critica a falta de envolvimento de certos países para proteger os profissionais e exige uma reacção que esteja à altura da emergência.

Outro relatório

Por seu lado, o Comité de Protecção dos Jornalistas (CPJ) revela que 69 jornalistas foram mortos durante o exercício do seu trabalho em 2015.

Grupos extermistas islâmicos como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda foram responsáveis pela morte de 28 jornalistas em todo o mundo este ano, 40 por cento do total dos jornalistas mortos por realizarem seu trabalho.

Nove dessas mortes ocorreram na França, que perdeu apenas para a Síria como o país mais perigoso para a imprensa em 2015.

O total, que inclui jornalistas assassinados entre 1 de Janeiro e 23 de Dezembro de 2015, é maior do que os 61 jornalistas mortos em 2014.

Em 2012, 2013 e 2014, as mortes na Síria eram bem maiores do que no resto do mundo.

A diminuição do número de mortes naquele país, onde 13 jornalistas foram assassinados em 2015, reflecte, em parte, o facto de os principais meios de comunicação terem decidido deixar de enviar os seus profissionais para a Síria, enquanto muitos nacionais fugiram para o exílio.

A Al-Qaeda na Península Arábica reivindicou a responsabilidade pelo massacre que matou oito jornalistas da revista satírica Charlie Hebdo em Paris, em Janeiro, e, em Outubro, o Estado islâmico assassinou dois jornalistas sírios que viviam no exílio na Turquia.

Essas mortes ocorreram ao mesmo tempo que governos ao redor do mundo mantêm presos pelo menos 110 jornalistas com base em acusações relacionadas a actividades contrárias ao Estado (de um total de 199 presos), diz o CPJ

Cerca de um terço das mortes em todo o mundo foi da autoria de grupos criminosos, funcionários do Governo ou residentes locais - na maioria dos casos, traficantes de drogas ou autoridades locais - suspeitos de estarem em conluio com o crime organizado.

Entre estas mortes, inclui-se a do brasileiro Gleydson Carvalho, morto a tiros por dois homens enquanto apresentava o seu programa de rádio à tarde, no qual muitas vezes criticava a polícia e os políticos locais por corrupção e prática de actos ilegais.

O Brasil, com seis assassinatos, registou o maior número de mortes desde que o CPJ começou a manter registos detalhados em 1992.

Embora o nível de violência não tenha precedentes, as autoridades judiciais brasileiras têm feito progressos na luta contra a impunidade, com seis condenações em casos de homicídio nos últimos dois anos.

O Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, aparece pela primeira vez no banco de dados do CPJ de jornalistas mortos quando homens armados não identificados fizeram uma emboscada contra uma caravana oficial no Estado de Bahr al Ghazal Ocidental, resultando na morte de cinco jornalistas que viajavam com um funcionário do condado.

Polónia e Gana aparecem no banco de dados de assassinatos do CPJ pela primeira vez.

No país africano, George Abanga, um repórter de rádio, foi morto a tiro à queima-roupa após cobrir uma disputa entre os produtores de cacau.

XS
SM
MD
LG