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"Crise silenciosa" no Madagáscar enquanto persiste o impasse político

  • Redacção VOA

Eleições estão previstas para finais de Agosto, mas as insistências do presidente Andy Rajoelina e de dois antigos políticos em concorrer estão em vias de bloquear o processo

Os responsáveis da África Austral apelaram a realização urgente das eleições no Madagáscar depois de mais um falhanço nas tentativas de restauração da ordem constitucional.

O Madagáscar está mergulhado numa crise política desde 2009 quando o presidente da câmara da capital Antananarivo derrubou o então Chefe de Estado.

A subida ao poder de Andy Rajoelina em 2009 com o apoio popular e dos militares conduziu o Madagáscar ao caos político. O antigo presidente de câmara de Antananarivo recusa agora abandonar o poder e permitir a organização de eleições, isso enquanto o país se mergulha numa crise política que o representante residente da UNICEF, Steven Lauwerier, descreveu como uma “crise silenciosa.”

Lauwerier adiantou que a ilha de 22 milhões de habitantes está a sofrer enquanto o líder do golpe, o presidente Andy Rajoelina continua a ignorar os apelos para que não concorra as próximas eleições.

“A maioria dos indicadores de desenvolvimento agravou-se ou estagnou-se. Isso enquanto temos assistido melhorias na maioria de outros países africanos. No Madagáscar as coisas pioraram em relação ao passado.”

O representante da UNICEF acrescentou que em cada 10 malgaches, 9 vivem com menos de 2 dólares por dia. Mais de um milhão e meio de crianças estão fora do sistema escolar. Metade das crianças com menos de 5 anos sofre de mal-nutrição crónica com efeitos irreversíveis. O país está assim longe de atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas em 2015.

Esse declínio segundo Steven Lauwerier, pode ser atribuído directamente a crise política. Desde 2009 que os gastos governamentais e as ajudas dos doadores se vêm reduzindo drasticamente devido a situação política.

A recusa do presidente Andy Rajoelina em não se concorrer as eleições também significa que não vai haver eleições, outra vez. Os negociadores regionais tentaram durante anos encontrar uma solução política que pudesse conduzir a realização de eleições e uma transição pacífica. A votação já foi adiada várias vezes e agora está prevista para finais de Agosto.

O Madagáscar não dispõe de recursos para sozinho organizar as eleições sem a ajuda internacional e a União Africana e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral – SADC – anunciaram que irão suspender os seus apoios ao processo até que o presidente Andy Rajoelina cumpra as regras.

Se o impasse persistir, diz o analista David Zounmenou do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória, as sanções poderão marginalizar ainda mais o presidente Rajoelina. A economia desacelerou-se durante o seu mandato com 200 mil pessoas a perderem o emprego.

“Um outro factor que penso ser muito importante é o que já está a vista: as divisões dentro do exército e os descontentamentos, a insatisfação popular entre os cidadãos. A mesma via pela qual ele chegou ao poder, através de revolta popular, está em vias de ser a mesma pela qual ele vai abandonar o poder.”

David Zounmenou adianta que as pessoas estão a perder o emprego, e que os mais jovens que mal podem empregar-se vão o acusar de responsável pela situação que prevalece no país.

A insistência de Andy Rajoelina em concorrer as eleições tem a ver com o facto do antigo presidente Didier Ratsiraka e a esposa do exilado ex-presidente Marc Ravolamanana terem sido aceites para participar nas eleições. Zounmenou realça que a nenhum desses três devia ser permitido concorrer as eleições. Ratsiraka e Ravalomanana por não cumprirem os requisitos em matéria de residência, e Rajoelina por ter aceite no passado em não concorrer num acordo com a SADC.
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