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Morreu Nobel da Paz Queniana Wangari Maathai

  • Ana Guedes

Nobel da Paz 2004 Wangari Maathai

Nobel da Paz 2004 Wangari Maathai

Maathai vitimada por um cancro aos 71 anos de idade

Defensora do meio ambiente e laureada com o Nobel Wangaria Maathai faleceu na capital queniana ao fim do dia de domingo após prolongada luta contra o cancro. Mulher directa e simples, tanto falava com um camponês como com um dirigente mundial.

Em 2004, mesmo por entre as celebrações de júbilo por ter sido escolhida para Premio Nobel da Paz, Wangari Maathai colocava sempre em primeiro o país que amava – Quénia.

Pouco depois de ter recebido o Premio, Wangari descreveu para a Voz da América o significado da vitória para os esforços levados a cabo no sentido de por cobro a desflorestação do seu país.

Este reconhecimento apoia de várias formas a campanha e coloca-a em destaque para que os dirigentes deste país possam entender que proteger a floresta é uma questão de vida ou de morte.

Wangari dedicou a sua vida a proteger as florestas do Quénia dos açambarcadores de terra, ligados à elite política. Defendeu, também, os direitos das mulheres numa altura em que a maior parte das quenianas tinha fraca presença pública, que não ia para além da casa.

Wangari Maathai foi uma das grandes figuras da campanha pro-democracia dos anos 80 e 90. Foi frequentemente perseguida, espancada, alvo de gás lacrimogéneo e detida.

Mas foi também uma das primeiras mulheres na África Ocidental e central a obter um doutoramento, a primeira a dirigir um departamento da Universidade de Nairobi, a primeira mulher naquela região a ser escolhida para professora, e a primeira mulher e defensora do meio ambiente a ser premiada com o Nobel da Paz.

Foi este espírito de perseverança que o seu colega Edward Wageni mais recorda. Wageni é vice-director do movimento da Cintura Verde e activista do mesmo grupo de Wangari .

“Perdemos alguém que teve a coragem da convicção, uma pessoa que se concentrou num tema, que não procurava os aplausos.”

Wangari nasceu na zona central do Quénia, em 1940. Numa altura em que era raro para uma rapariga ir à escola, ela terminou o liceu, na escola de raparigas Loreto, em 1959 e iria seguir o ensino universitário graduando-se em ciências biológicas. Completou depois o mestrado na Universidade de Pittsburgh a que se seguiria o doutoramento pela Universidade de Nairobi.

Nos anos 70 tornou-se activista, lutando em vários grupos do meio ambiente e humanitários em Nairobi, mantendo contactos com mulheres em zonas rurais. Foi quando ela se apaixonou pelo plantio de árvores. Criou o Movimento da Cintura Verde que plantou mais de 47 milhões de árvores no Quénia.

O seu trabalho envolveu também campanhas de educação e relacionar a degradação ambiental a más políticas de governação.

Após o inicio da luta pró-democracia, Wangari foi eleita para o parlamento em 2002 e nomeada vice-ministra do ambiente. Dois anos mais tarde foi distinguida com o Nobel da Paz. Desde então, Wangari liderou vários esforços internacionais, incluindo uma campanha das Nações Unidas para plantar um bilião de árvores, num esforço para combater as mudanças climatéricas.

Mas à parte os aplausos, os prémios e as honras que recebeu, colegas e amigos dizem que Wangari tinha os pés bem assentes no chão, muito ligada aos movimentos de base, que conseguia tanto falar com um camponês como com um dirigente a qualquer nível.

Catherine Lore, uma médica ugandesa, que trabalha perto da sede do Movimento da Cintura Verde, diz que a sua vizinha era uma mulher directa, fácil de lidar e que inspirava os outros.

Wangaria Maathai faleceu em Nairobi quando se submetia a tratamento ao cancro.

Tinha 71 anos de idade. Deixa três filhos e um neto.

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