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Lunda Norte: Exército acusado de utilizar jovens para trabalhos forçados

  • Alexandre Neto

Alguns jovens levados para trabalhos forçados foram presos por garimpo ilegal de diamantes em zonas como a desta imagem de arquivo.

Alguns jovens levados para trabalhos forçados foram presos por garimpo ilegal de diamantes em zonas como a desta imagem de arquivo.

Jovens foram presos após distúrbios no fim-de-semana que provocaram a morte de seis garimpeiros

A situação na região da Lunda-Norte continua a ser de instabilidade para as populações locais, onde jovens das aldeias periféricas do município do Kuango, região rica em diamantes, têm sido recolhidos por efectivos das FAA - Forças Armadas Angolanas - para trabalhos forçados na produção de blocos e na construção de casernas.

As detenções ocorreram no passado sábado, poucos dias após acontecimentos que vitimaram mortalmente pelo menos 6 garimpeiros, dados já confirmados pelas autoridades administrativas.

Disse à VOA, um residente identificado por Muisseka Victorino: “Antes de ontem foi uma equipa constituída por Teleservice, forças armadas angolanas e polícia naquelas áreas correndo com os garimpeiros. E então, onde prenderam alguns garimpeiros. Uns foram levados no Xamuteba, outros estão aqui no quartel das forças armadas, fazendo adobes para a construção do comando das FAA. E também atingiram mortalmente um outro cidadão, cujo corpo se recusam entregar...”

A Voz da América soube dum residente local que pelo menos 20 pessoas foram detidas nas operações do último fim-de-semana.

Este número não foi, contudo, confirmado por este informador que pediu para não ser identificado: “Conforme eu disse ao senhor, eles não permitem que vamos para aquela área. E existe sempre o segredo. Sabe que nestas questões onde estão metidos os militares... Neste preciso momento nós não sabemos quantos estão aprisionados”.

A actividade do garimpo é vista como a única alternativa para os jovens da região, mão-de-obra desocupada como relatou Muisseka Victorino: “Deus quando fez a terra, começou a dividir ou seja colocou em cada parcela, o produto que podia servir a população. Nós aqui temos diamante. Em Luanda enquanto há petróleo e sal... Estamos em falta de quase tudo. Uns montes de promessas feitas, os problemas nunca foram resolvidos”.

Todos esforços por nós feitos no sentido de ouvir os responsáveis militares não resultaram, embora às ordens militares nem sempre se sujeitam as decisões administrativas civis.A VOA não conseguiu verificar no terreno o que está a passar-se efectivamente. Nem de nenhuma outra fonte independente pode confirmar a veracidade dos factos relatados pelas testemunhas.

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