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Lubango: Governo não paga o que deve, empresas despedem trabalhadores

  • Teodoro Albano

Lubango

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Empresas de saneamento básico não são pagas desde Setembro. Outras desde Novembro

Quando o governo não paga o que deve quem paga a factura são os trabalhadores das empresas lesadas.

Esta é a lição que chega do Lubango onde a crise de liquidez por parte de algumas empresas de saneamento básico da cidade está a provocar o despedimento do quadro de pessoal.

Uma delas é a Huíla Recycling que nos últimos meses mandou para a rua vários funcionários alegadamente por dificuldades de pagamento.

António Somayakuenje, acabou despedido com quatro meses de salário atrasado.

“Nós pensamos que a pessoa está a trabalhar para ver se não ingressa nessa camada de delinquência para ter uma ocupação. Neste caso acontece isso”, disse.

“A primeira coisa é que eu sou casado tenho filhos para sustentar assim mesmo em casa está mal não há nada de alimentação”, acrescentou.

Alberto Afonso está a sete meses sem salário. Indignado defende indemnização pelo despedimento.

“As demais empresas quando demitem os seus trabalhadores antecipam e lhes dão a respectiva indemnização, agora nós estamos na rua sem fazer nada”, afirmou.

A empresa de limpeza e saneamento Huíla Recycling, não fala em números, mas admite os despedimentos e promete pagar tão logo receba o que o governo lhe deve.

O administrador da empresa, Rui Fernandes, atribui culpas ao governo provincial que há muito deixou de pagar as suas prestações mediante acordo. O responsável diz mesmo que o problema alastra-se a todos os sectores da empresa.

O maior credor é o Estado

“Assim que o dono da obra que é o governo provincial da Huíla nos pague o que nos deve desde Setembro possamos regularizar os salários”, disse Fernandes que acrescentou que na companhia todos são afectados.

“Na Huíla Recycling desde o administrador até de forma transversal todas as categorias profissionais o nosso último salário pago por consequência dos atrasos do dono da obra foi Setembro”, afirmou.

O problema de liquidez de algumas empresas na Huíla é atribuído a actual crise financeira provocada pela baixa do preço do petróleo. A maioria delas vê no estado o seu maior credor.

O administrador municipal do Lubango, Francisco Barros Leonardo, fala dos constrangimentos que a crise está a provocar em algumas obras em curso.

“Mesmo a nível da nossa administração as empresas que fizeram o trabalho com administração nem sequer receberam Novembro, Dezembro nem Janeiro”, disse.

“Isto é um grande constrangimento para as empresas que têm trabalhadores têm que adquirir material, etc. A situação financeira do país afectou algumas obras alguns empreendimentos”, acrescentou.

Empresas de prestação de serviços na Huíla com dificuldades de tesouraria devido a crise financeira no país.

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