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Luanda: Desigualdades sociais mais visíveis na época do Natal

  • Esperança Gaspar

A àrvore de Natal, em frente ao edifício do Capitólio, na capital americana

A àrvore de Natal, em frente ao edifício do Capitólio, na capital americana

Mais uma vez, o Natal acontece em Luanda, com muito para alguns e sem nada para outros.

A poucos dias do Natal, em que os católicos celebram o nascimento do menino Jesus, algumas famílias residentes em Luanda, andam já num corre-corre para garantirem que nada falte no dia 25. Outras, contudo, aguardam por uma bênção de Deus para que o negócio ande e consigam proporcionar um dia diferente aos seus filhos com o lucro que obtiverem do negócio.

Nas ruas de Luanda, o cenário para a época natalícia já foi montado:cor,luz e os enfeites de Natal, anunciam a festa que se aproxima.Mas,na casa de Esperança Salvador,nenhum cenário foi montado para a quadra festiva. Não há árvore, presépio, enfeites de natal nem mesmo jogo de luzes, porque,segundo a dona da casa,não a dinheiro para comprar os enfeites de Natal.

Mãe de seis filhos, Esperança é vendedeira de fardos,ou seja, de roupa usada, no Mercado do São Paulo.A dona de casa diz que é desta forma que, quase todos os anos, passa o dia 25. No entanto,o famoso cozido à meia-noite já foi providenciado.

Já Meli, uma outra dona de casa, apesar dos poucos recursos financeiros,fez questão de assegurar que nada falte neste dia.A árvore já foi montada.As cores verde e vermelha emprestam à sua casa o espírito natalício.Os presentes para os seus três filhos, também já foram colocados debaixo da árvore de Natal.

Apesar das diferenças sociais, tanto Meli como Esperança partilham a mesma ideia: a saúde é o mais importante neste dia.

Para o padre Armando Pinho,da Igreja da Sagrada Família,devido a essa disparidade social existente no mundo inteiro,o espírito de solidariedade humana deve constituir uma atitude permanente no homem e, em especial, entre os angolanos. Aquele sacerdote falou do significado do Natal para o mundo cristão. Segundo o padre Armando,o Natal continua a ter o mesmo simbolismo em relação a séculos passados,pois traz uma dimensão de paz,uma paz que, na sua óptica, deve ser preservada.

O padre Armando Pinho olha para o Natal como sendo o dia da família,uma festa familiar que, a cada ano,perde o seu verdadeiro sentido. Num país, como Angola, onde a desigualdade social é cada vez mais acentuada, o padre Pinho fala da necessidade de se criar um espírito messiânico para a garantia da harmonia social.

Essa é também a chamada época da especulação do preço. Cidadãos e clientes, em Luanda, reagem à subida dos preços de alguns produtos nos mercados formais e informais.

Os preços do leite, da manteiga e de outros produtos, que são de grande necessidade por esta altura do ano,sofreram um aumento considerável.E os cidadãos já estão a sentir as consequências desta mudança de preços consequente da quadra festiva.

Hilário dos Santos disse mesmo que o Estado, através dos seus organismos competentes, deve trabalhar de forma a pôr fim aquela prática especulativa.

Por sua vez, Marinela dos Santos, na condição de cliente, pensa que há necessidade de os responsáveis de algumas lojas fornecedoras de produtos alimentares pensarem mais nos cidadãos.
Por esta razão o padre Armando Pinho,chama atenção para o espírito consumista que afecta alguns dos angolanos nesta época natalícia.

O padre Armando Pinho realçou ainda que a unidade familiar é fundamental para uma quadra festiva em harmonia. É desta forma que, mais uma vez, nasce o Natal em Luanda, com muito para alguns e sem nada para outros.

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