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Angola: Feira do Livro no seu sexto ano


Criar Novos Factos Culturais foi o lema deste ano

Luanda acolhe desde o passado dia 13 de Agosto a feira Internacional da Música e Leitura. O evento artístico-cultural que já vai na sua sexta edição, é realizado anualmente no mês de Agosto desde 2006.


“Criar novos factos culturais” é o lema desta feira Internacional da música e da leitura que congrega no mesmo espaço ciclo de palestras, actuações ao vivo de músicos angolanos de sucesso, e debates sobre diversos temas ligados a literatura, política entre outros, recitais de poesias e filmes em DVD.

Com cerca de cinquenta expositores entre editoras, alfarrabistas, e pessoas singulares a feira oficialmente aberta na última Segunda-feira acontece no CEFOJOR_Centro de Formação de Jornalistas, em Luanda.

A abertura do evento realizado há já seis anos, desta vez, para o espanto de muitos feirantes, coube ao Secretário Nacional da Juventude do MPLA.

Sérgio Luther Rascova destacou a importância da iniciativa reconhecendo que o acesso aos livros ainda é difícil em Angola. O político garantiu a organização juvenil do partido no poder está interessada em alargar esta iniciativa às restantes províncias do país;

A propósito desta actividade conversamos com Jomo Fortunato responsável da Empresa privada Arte Viva que organiza esta feira internacional.

“A responsabilidade sobre o preço dos livros cabe ao estado”

O também docente universitário diz que a promoção do livro e da leitura é uma estratégia de combate à pobreza, mas remete ao estado as responsabilidades pelos altos preços praticados na venda de alguns livros nesta feira, que variam entre os quinhentos kwanzas (o equivalente a cinco dólares americanos) e os cinco mil kwanzas (o equivalente a cinquenta dólares americanos). Para ele, as altas taxas alfandegárias são as principais razões.

“As empresas nacionais e estrangeiras não se interessam em patrocinar eventos culturais desta natureza”.


Jomo Fortunato diz não ter apoio financeiro suficiente para realização de uma feira de dimensão internacional, por isso lamentou o desinteresse de muitas empresas nacionais e estrangeiras que abdicam de prestar o seu auxílio em iniciativas do género.

Aproveitamento político de uma actividade cultural

O vermelho, o preto e o amarelo são as cores que animam a decoração da feira da música e da Leitura, desde o tapete às paredes. Estas cores que preenchem o cenário decorativo deste evento artístico cultural estão associadas à bandeira do partido no poder em Angola, cuja sua organização juvenil montou no local uma estante onde foram expostos materiais de propaganda do MPLA, entre os quais o Manifesto eleitoral, chapéus, camisolas, livros sobre a vida e obra de José Eduardo dos Santos, o líder do partido. Grande parte deste material, é oferecido aos participantes da feira.

Acrescido à estes dados, a figura ligada ao partido no pode, o deputado e Secretário Nacional da JMPLA, a quem coube a abertura do certame saltou à vista ao estudante do Curso de Literaturas Africanas Domingos Vicente que tem participado de todas as edições desta evento.

O Universitário fala em aproveitamento político da actividade cultural, a julgar pelo período de campanha eleitoral com vista as eleições gerais a terem lugar a 31 deste mês, em curso em Angola.

Entre os destaques do ciclo de palestras desta Feira Internacional estão temas ligados a figura do Presidente do MPLA José Eduardo dos Santos: A sua trajectória política e os desafios do seu tempo.

Questionado sobre uma possível conotação político-partidária e propagandística da feira Internacional da Música e da Leitura Jomo Fortunato, o responsável pelo evento, disse ser uma opção política da sua empresa em reconhecimento das figuras que contribuem para paz em Angola.

O Estudante universitário defende o apoio à cultura, mas discorda da manifestação pública de opções político-partidárias em eventos culturais para veiculação de propagandas políticas, principalmente nesta fase em que faltam poucos dias para realização do pleito eleitoral;


“Criar novos factos culturais” é o lema desta feira que visa a promoção da leitura pública e o intercâmbio entre expositores e artistas, num único espaço.

Cinquenta expositores entre editoras, alfarrabistas expõem durante uma semana os seus produtos culturais no Centro de Formação de Jornalistas até neste Domingo, 19 de Agosto, dia em que acontece o encerramento deste evento de dimensão internacional cuja realização é anual e já se tornou tradição desde 2006 ano em que foi realizada a primeira edição.
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