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Brutalidade policial trava manifestação em Luanda (C/Fotos)

  • Alexandre Neto

Manifestante espancado pela polícia, na Avenida Joaquim Kapango

Manifestante espancado pela polícia, na Avenida Joaquim Kapango

Cerca de 300 manifestantes desfilaram pela Avenida Joaquim Kapango, em direcção ao Palácio Presidencial

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Várias pessoas ficaram feridas, outras detidas e alguns jornalistas agredidos em consequência da manifestação que hoje um grupo de jovens angolanos realizou em Luanda para exigir a destituição do presidente José Eduardo dos Santos.


A polícia nacional reprimiu violentamente a marcha de centenas de manifestantes que se dirigiam para o palácio presidencial, na cidade Alta.

Pelo menos dois feridos foram registados durante as investidas protagonizadas pela polícia que teve de pedir reforços em homens e meios.

A VOA não pode avaliar com que gravidade foram feridas as vítimas, sendo que todos eles fazem parte da organização segundo pudemos presenciar no terreno.

A refrega tomou contornos de violência pura, nas imediações do hospital militar nas Ingombotas e prosseguiu ao longo da Joaquim Kapango, quando os reforços policiais que vinham de várias direcções, cruzaram com os manifestantes.

Tudo que se podia perceber, era o colossal esforço dos homens, no sentido de o mais distante do palácio travar a marcha.Talvez o fracasso nesse sentido, equivaleria a sobrevivência no cargo de um dos comandantes de Luanda.

A refrega prosseguiu ao longo da rua Joaquim Kapango na direcção da baixa de Luanda, nas cercanias da igreja Sagrada Família.

Esta saída para o palácio não fazia parte do itinerário inicial. Mas as coisas ter-se-ão agudizado e os jovens resolveram partir depois que terminou um prazo por eles próprios fixado, exigindo o regresso à liberdade de Pandita Nehru detido, e até então em parte incerta.

Lembro que Pandita Nehru foi raptado pouco antes das 12:00, hora marcada para o início da manifestação na praça da Independência. Ele e um companheiro que responde pelo nome de Ramalhete faziam parte dum grupo avançado da organização que seguia para o reconhecimento do local.

Contou-nos Ramalhete que a cerca de 100 metros da praça, vindo do S. Paulo, nas imediações de uma estação de serviço da petrolífera nacional, homens á civil em número de seis, armados com metralhadora kalashnikov desembarcaram de duas viaturas, com matrícula normal, e os abordaram em conversas críticas sobre a situação social actual... no que aparentava ser uma conversa normal.

Instantes depois forçaram Nehru a subir para uma das viaturas. Tentaram arrastá-lo também (Ramalhete) mas não conseguiram, em parte devido a solidariedade dalguns presentes no local que queriam saber o que se estava a passar.

A polícia conseguiu travar os manifestantes já perto de mil e quinhentos metros do local de onde partiu, em parte graças a intervenção de homens à civil fisicamente bem constituídos que se supõe pertencerem as forças especiais.

Os jornalistas sobretudo da imprensa internacional não foram poupados.

Meios e haveres, como documentos, ficaram em posse destes numerosos carrascos, um deles e de grande protagonismo, trajando T-Shrt esverdeada, todos eles agindo indiscretamente e no que se podia verificar, com cobertura da polícia.

A VOA presenciou o momento em que alguns dos organizadores foram transportados pela polícia, para parte que não conseguimos assegurar qual. Destaque-se os nomes de Alexandre Dias dos Santos e um outro que responde pelo nome de Carbono.

A marcha d’hoje que concentrou centenas de pessoas na praça da independência diferiu das demais até hoje conhecidas, pela contundência da polícia, bem trajada e também bem comportada no início, com um uniforme que não era o de campanha mas em perfeita coordenação com indivíduos de boa compleição física à civil, na língua kimbundu kahinchas que se encarregaram de desferir os socos.

Alexandre Dias dos Santos, sem camisa, depois da refrega com a polícia

Alexandre Dias dos Santos, sem camisa, depois da refrega com a polícia

A polícia compareceu em força, apoianda por um carro celular

A polícia compareceu em força, apoianda por um carro celular

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