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Lobito: antigo governador diz não ter dado terras a funcionária

  • João Marcos

Aspecto da cidade do Lobito

Aspecto da cidade do Lobito

Administrador justificou a decisão com posição do anterior governador e o tribunal.

O general Armando da Cruz Neto, antigo governador provincial de Benguela, nega que tenha concedido 12 hectares de terra à Nádia Furtado, funcionária da Administração do Lobito, em litígio com a comunidade do Golfe.

Estas confissões, feitas numa conversa com o coordenador da Omunga, José Patrocínio, deitam por terra todas as explicações do administrador municipal.

Os últimos desenvolvimentos sobre o conflito de terras no Lobito vão estar no centro de um encontro entre o actual governador, José Patrocínio, da Omunga, e o jurista Francisco Viena.

O general Armando da Cruz diz estar ciente das competências de um governador.

Com este argumento, patente no blog da Omunga, Cruz Neto pretende mostrar que não passaria pela sua cabeça dar luz verde a uma concessão de 12 hectares, uma cifra concebível só com autorização do Conselho de Ministros.

Na conversa com José Patrocínio, o agora deputado exige que Nádia Furtado e o administrador municipal, Alberto Ngongo, apresentem documentos que confirmem a suposta concessão.

O desafio de Armando da Cruz é extensivo aos órgãos da administração da justiça, uma vez que Alberto Ngongo chegou a apontar uma decisão judicial favorável à sua funcionária.

"Nós estamos a fazer cumprir uma lei, há uma decisão do tribunal favorável a Nádia", justificou o administrador.

Ngongo, que até dava o assunto como arrumado, tal como Isaac dos Anjos, actual governador, vê-se apertado numa altura em que aumenta o tom das críticas.

"É muito triste esta situação. Uma única pessoa fica com um espaço enorme, deixando a maioria sem espaço para construir. Muitos têm de sair das zonas de risco, onde aconteceu a tragédia do passado mês de Março. Estamos descontentes", reafirma um porta-voz da comunidade.

Atento ao desenrolar dos acontecimentos, Isaac dos Anjos deve receber nas próximas horas o coordenador da Omunga e o jurista Francisco Viena, que defende os mais de 90 cidadãos que ficaram sem terras.

A organização de José Patrocínio pretende saber ‘’quem anda a brincar com coisas sérias’’, razão pela qual lembra que a Procuradoria Geral da República (PGR) deve estar ao serviço da legalidade.

A VOA tentou chegar à fala com o antigo governador de Benguela, mas sem sucesso.

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