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Legislativas brasileiras: Elevado número de candidatos levanta questões

  • Maria Cláudia Santos

Ao todo, quase 24 mil candidatos estão inscritos nas eleições para deputados federais e estaduais deste ano.

No Brasil, analistas alertam que o número cada vez maior de candidatos, de variadas cores, disputando vagas no legislativo brasileiro, indica a necessidade urgente de reforma no sistema eleitoral do país.

No próximo dia 5, os brasileiros vão às urnas escolher Presidente da república, governadores de estados, senadores e deputados.

Ao todo, quase 24 mil candidatos estão inscritos nas eleições para deputados federais e estaduais deste ano. A corrida ao legislativo chama a atenção pelo grande número de concorrentes, que cresce anualmente. Só na cidade de São Paulo são dois mil inscritos nestas eleições 2014.

As 513 cadeiras do Congresso Nacional são disputadas por mais de sete mil brasileiros. Nos legislativos estaduais, para pouco mais de mil postos existem 16 mil concorrentes.

Para Daniel Machado, especialista em marketing político, pela Universidade de São Paulo (USP), a grande quantidade de inscritos é muito preocupante, principalmente, porque é incompatível com o baixo número de brasileiros engajados na política.

Cantores, actores, incluindo de filmes pornográficos, atletas, misses, humoristas, todos concorrem

"Isso é preocupante, precisa ser revisto. No que está se tornando a nossa eleição? Por que tantas pessoas vão participar, como candidato, mas poucos como militantes, mobilizadores e apoiadores? Nós sabemos que não adianta o governante majoritário se nós não tivermos bons representantes, que discutam leis, que fiscalizem. Cabe a nossa reflexão," afirma.

Além dos actuais deputados que querem manter os postos, que são 77% dos que estão no Congresso hoje, na legião de candidatos deste ano há, ainda, as celebridades. São cantores, actores, incluindo de filmes pornográficos, atletas, misses, humoristas. Há também as celebridades instantâneas, como participantes de reality shows. Pessoas totalmente desconhecidas também se aventuram na disputa.

Fragilidade da disputa pelo legislativo brasileiro

"Quem entra, muitas vezes, não entra com a esperança da eleição. Não entra para ser eleito, representar região ou segmento. Muitas vezes, esses partidos já utilizam dessas pessoas, dessas lideranças para somar, para dar condições de uma cadeira, no caso," analisa Machado.

As propagandas políticas exibidas, de forma obrigatória, na televisão brasileira reforçam a preocupação de analistas. Há candidato que usa o nome de um único personagem vivido em novela brasileira, outro que imita bichos para pedir votos. É possível ver, ainda, aspirante a deputado que se passa, com vestimentas e gestos, por um super herói, entre outros comportamentos que sinalizam para a fragilidade da disputa pelo legislativo brasileiro.

Apesar disso, o sociólogo Róbson Sávio Reis lembra que esse tipo de candidato não é a maioria no Brasil. "Nós temos que lembrar que isso é excepção. A maioria tenta apresentar ao eleitor algo da sua plataforma, das suas ideais. Nós não podemos pegar os extremos, pegar alguns poucos candidatos, que usam de um humor pouco inteligente, e dizer que isso é o que significa ou simboliza a campanha eleitoral".

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