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Legislação angolana afugenta o investimento estrangeiro

  • João Marcos

A opinião é de especialistas.

Angola tem uma legislação que afugenta o investimento estrangeiro, sobretudo no sector da hotelaria e turismo, facto controverso à estratégia de diversificação da economia.

Observadores indicam que as contrariedades começam com barreiras na hora de emissão de vistos ou cartas de chamada para turistas estrangeiros, mas é a questão das percentagens que mais preocupa os especialistas.

O economista Carlos Rosado de Carvalho prefere não acreditar que um estrangeiro tenha de perder para um cidadão nacional 35 por cento do seu capital quando quiser construir uma unidade hoteleira.

“É considerado um sector estratégico, mas quem vier construir um hotel tem de dar 35 por cento do seu capital ao angolano. Quero saber se o angolano depois põe lá o dinheiro ou espera os rendimentos futuros’’, questiona Rosado de Carvalho, para mais adiante inverter os papéis: ‘‘não acredito que nós aceitemos dar esta percentagem a um congolês se formos fazer isto na RDC’’.

Por isso, defende o director do jornal Expansão, há que encontrar uma solução às barreiras do investimento estrangeiro directo em Angola.

Não é desta forma que se protege o empresário angolano, acrescenta Carlos Rosado, que olha para um país carente em matéria de emprego

“Gostava de ver angolanos na hotelaria, na indústria e em outros sectores, mas nós, infelizmente, não estamos capacitados. Temos de admitir que, independentemente dos donos, precisamos de emprego, principalmente para jovens, de criar riqueza e de desenvolvimento’’, justifica o académico.

São vozes como esta que, na óptica de Jorge Pinto, membro da Associação Industrial Angolana, devem ser ouvidas.

A diversificação da economia, salienta, precisa de estradas sem buracos, água e energia, mas também de concertação social

“Temos um grande percurso. Para início de conversa, ainda nem sequer asfaltámos, continuamos com as picadas e as pedras que dificultam a circulação’’, frisa Pinto que critica o facto de se fazer planeamento sem ouvir os especialistas.

Alguns observadores criticam o que chamam de má gestão estrutural e administrativa do sector, sublinhando que o país está diante de um alerta para a necessidade de planeamento turístico.

Angola ocupa a última posição do relatório de competitividade turística elaborado pelo Fórum Económico Mundial.

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