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Kumba Yala, a biografia de um político com história

  • Lassana Casamá

Kumba Yala

Kumba Yala

Kumba Yala envergava um sentimentalismo nacionalista, que em várias ocasiões sugeria outras interpretações e compreensões, ao ponto de muitos o considerarem uma figura controversial.

O antigo Presidente da República, Kumba Yala, morreu no princípio da madrugada de hoje em Bissau. A notícia apanhou os guineenses de surpresa, já que aparentemente Yala patenteava um aspecto físico razoável, tanto assim que estava envolvido na campanha eleitoral ao lado do candidato independente Nuno Gomes Nabian.

Os restos mortais do malogrado encontram-se na morgue do hospital militar, enquanto se espera da decisão do Governo sobre a data para a realização de cerimónias fúnebres.

Kumba Yala era o líder fundador do Partido da Renovação Social (PRS), criado em 1992 quando deixou de pertencer à Frente Democrática Social, partido onde ocupava o cargo de vice-presidente.

Do seu percurso político, consta que Kumba Yala foi dos mais espontâneos políticos da oposição. Experimentou a maior parte da sua formação política no PAIGC.

Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras na Universidade Clássica de Lisboa, cidade onde fez o Curso de Teologia na Universidade Católica, Kumba Yala envergava um sentimentalismo nacionalista, que em várias ocasiões sugeria outras interpretações e compreensões. Por isso, alguns o consideravam como uma figura controversial.

Assumiu o destino do país em 2000, após a queda de Nino Vieira, afastado do poder em consequência do conflito militar liderado por Ansumane Mané.

Yala exerceu a sua magistratura até 2003, quando foi afastado por um golpe militar, liderado pelo então chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, Veríssimo Correia Seabra, morto dois anos depois pelos seus camaradas de armas.

Desde ai, mesmo com o asilo em em Marrocos, Kumba Yala, ou Mohamed Yala, tal como foi baptizado em 2005 por se ter convertido ao islão, participou em todas as disputas eleitorais como candidato presidencial.

Em Dezembro, passado renunciou a liderança do seu partido, PRS, e anunciou a sua retirada da vida política activa:

No dia seguinte dizia aos guineenses que ia apoiar o candidato Nuno Gomes Nabian e o fez. De lado a lado, percorreram o país nesta presente campanha eleitoral.

O ex-presidente da República morreu nos primeiros minutos de hoje, 4,na clínica do seu médico pessoal e sobrinho. Segundo o médico, Kumba Yala lhe disse, antes do seu último suspiro, para que queria ser sepultado “só após o anúncio da vitória do candidato Nuno Gomes Nabian nas presidenciais de 13 de Abril”.

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