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Coreia do Norte impede entrada de sul-coreanos na zona industrial conjunta

  • Steve Herman

É a mais recente acção de Pyongyang após o anuncio ontem da retoma do seu programa nuclear no complexo de Yongbyon

A Coreia do Norte suspendeu hoje a entrada de trabalhadores sul-coreanos na zona industrial conjunta situada ao norte da fronteira com Seoul.

É o último sinal da escalada rápida da tensão na península coreana e que coloca em risco os últimos sinais de cooperação que restavam entre os dois países inimigos.

Centenas de sul-coreanos trabalham no parque industrial conjunto, ao norte da fortificada linha de fronteira entre as duas Coreias. Mas para aqueles que tentaram entrar hoje no complexo industrial de Kaesong foi-lhes negada a entrada pelos norte-coreanos.

O porta-voz do ministério da unificação em Seoul, Kim Hyun-suk expressou-se desapontado com a acção da Coreia do Norte, e disse que o bloqueio do acesso vai ter repercussões, se não houver o reabastecimento de mantimentos.

Para Kim Hyun-suk a ruptura do stock coloca um “sério obstáculo a operação salutar” do complexo.

Dos cerca de 800 sul-coreanos que passaram a noite na zona, apenas cerca de 50 deverão regressar a casa esta Quarta-feira, tendo os restantes optados em permanecer ali por enquanto.

Tem havido preocupações de que na eventualidade da erupção da guerra entre os dois países, os sul-coreanos presentes no complexo de Kaesong venham a estar em situação de reféns.

Ainda hoje o ministro da defesa sul-coreano disse aos membros do partido no poder, na Assembleia Nacional que um “plano de contingência, incluindo possível acção militar” deve ser preparado no caso de haver situações como essas.

Apesar de cerca de 125 empresas sul-coreanas disporem de unidades fabris no complexo de Kaesong que éo único projecto que tem produzido bens de primeira necessidade desde 2004 na Coreia do Norte. Ele tem mais valor económico para Pyongyang do que para a sua vizinha do Sul. Cinquenta mil trabalhadores dessas fábricas são norte-coreanos e o complexo gera um lucro de dois mil milhões de dólares anuais para Pyongyang que precisa seriamente de divisa estrangeira para a sua economia.

A decisão da Coreia do Norte em vedar o acesso, pelo menos temporário aos sul-coreanos no complexo de Kaesong tem lugar um dia depois da mesma ter anunciado o reinício de operações no seu complexo de reactor nuclear de Yongbyon para produzir mais armas nucleares.

O General James Thurman, comandante das 28 mil tropas americanas do contingente militar dos Estados Unidos na Coreia do Sul, disse a televisão ABC que na área de segurança conjunta, situada no interior da zona desmilitarizada a situação nunca foi tão tensa como agora, desde que assumiu o comando em meados de 2011.

“A situação é volátil e perigosa.”
“Qual é seu maior receio agora, em relação a Kim Jong Un?”
“Um erro de cálculo. E uma decisão impulsiva que cause uma cinética provocação.”

O general americano lidera igualmente o comando das Nações Unidas e poderá assumir o controlo das forças sul-coreanas no âmbito do comando unificado, no caso de ser declarada a guerra.
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