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Kerry no Brasil: Vigilância eletrónica no centro das atenções

  • Maria Cláudia Santos

O Secretário de Estado americano, John Kerry, defendeu hoje em Brasília a vigilância que os americanos têm feito das comunicações no mundo, incluindo o Brasil. John Kerry alegou que essa vigilância é necessária para garantir a segurança global.
Kerry reuniu-se com a presidente Dilma Rousseff e o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Em declaração à imprensa, depois dos encontros, o alto representante americano disse que o monitoramento de cidadãos e empresários brasileiros não foi ilegal e teve como objetivo questões de segurança, como aconteceu em outros lugares do mundo.

John Kerry se recusou a dizer se o esquema de monitoramento vai continuar no Brasil, dizendo que não pode comentar a estratégia de segurança dos Estados Unidos.

O Secretário fez questão de repetir que todas as atividades foram baseadas na lei e disse que o governo americano se compromete a continuar trabalhando de forma transparente.

Depois de encontro com o Secretário, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, António Patriota, afirmou que o escândalo de monitoramento das comunicações abalou as relações brasileiras com os Estados Unidos.

Patriota enalteceu a importância do país, como segundo parceiro comercial brasileiro, mas garantiu que é preciso mais que esclarecimentos para que a confiança nos EUA seja restabelecida.

“Hoje enfrentamos um novo tipo de desafio em nossa relação bilateral. Um desafio relacionado a notícias de interceptação de comunicações electrónicas e telefónicas de brasileiros”, disse Patriota.

De acordo com o ministro, se essa situação não for resolvida de modo satisfatório “corre-se o risco de se projetar uma sombra de desconfiança” nos trabalhos com os americanos.

O ministro António Patriota destacou, ainda, que foram estabelecidos canais técnicos de comunicação, os canais políticos estão abertos e os esclarecimentos estão sendo solicitados. “Mas, os esclarecimentos não são o fim em si mesmo.

Ouvir esclarecimentos não significa aceitar o status quo”, afirmou Patriota. O ministro brasileiro disse também que é preciso parar “com as práticas atentatórias a soberanias, as relações de confiança entre os estados e violatórios das liberdades individuais que os nossos países tanto prezam”.

Outro tema abordado pelo Secretário de Estado americano com as autoridades brasileiras foi a questão dos vistos. Jonh Kerry disse que os Estados Unidos querem mais brasileiros viajando pelo país.

Sem falar em datas, Kerry afirmou que os dois países negociam para facilitar isso. Um dos meios seria o programa Global Entry, que pode ser assinado em Outubro quando a presidente Dilma Rousseff faz visita oficial a Washington.

O programa permite e a entrada de estrangeiros sem passagem pela fila de imigração. A iniciativa seria voltada para brasileiros que visitam os Estados Unidos com mais frequência, como os empresários a trabalho.

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