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Ministro do Interior líbio demite-se e apela a rebelião contra Kadhafi


Muammar Kadhafi durante o discurso na televisão estatal líbia, no dia 22 de Fevereiro.

Muammar Kadhafi durante o discurso na televisão estatal líbia, no dia 22 de Fevereiro.

Conselho de Segurança da ONU critica severamente a Líbia.

O ministro do Interior da Líbia, Abdel Fatah Younes, demitiu-se e exortou o exército a juntar-se ao povo na revolução e apoiar as suas «exigências legítimas». Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança das Nações Unidas divulgava uma declaração em que exigiu o fim imdiato da violência.

O Conselho, "condena a violência e o uso da força contra civis, deplora a repressão de manifestações pacíficas, e lamenta profundamente a morte de centenas de civis". Apesar de a linguagem ser dura pelos padrões diplomáticos, a declaração do Conselho não tem a força de uma resolução formal.

A secretária de estado, Hillary Clinton, manifestou "alarme" face à situação na Líbia, e descreveu o que se passa como "um banho de sangue inaceitável". No entanto, tal como o Conselho de Segurança da ONU, não anunciou medidas concretas.

Na sua declaração, o ministro do Interior, Abdel Fatah Younes anunciou que "abandono todas as minhas funções para responder à revolução de 17 de Fevereiro baseado na minha total convicção e na legitimidade das suas exigências. Peço ao exército líbio para servir o povo e apoiar a revolução de 17 de Fevereiro".

Esta declaração foi divulgada pela televisão al-Jazeera, horas depois de um discuyrso em que o Coronel Muammar Kadhafi recusou demitir-se, disse que a Líbia é uma criação sua e morrerá, por ela, como um mártir e ameaçou esmagar os revoltosos.

Ele considera-se como "um guia" e como tal e segundo as suas próprias palavras, "está acima da função de presidente". Sublinha Kadhafi que ele não ocupa o cargo de presidente para que dele se demita, e passo a citar: “Kadhafi é chefe da revolução, o sinónimo de sacrifício até ao fim da vida. É o meu país e o dos meus pais ancestrais.”

Kadhafi ameaça os manifestantes com pena de morte, e descreve-os como "ratos de esgoto ao serviço dos estrangeiros", "drogados", "carochas", "islamitas" e "cobardes que aplaudem os Estados Unidos". Exorta os seus apoiantes a saírem à rua para travar os protestos.

Apesar dos insultos, Kadhafi prometeu reformas políticas como a revisão da constituição, da sociedade civil e da justiça, mas não deixou claro o alcance dessas reformas, nem se haverá um diálogo exterior à elite do regime para determinar o que será mudado.

Quanto à situação no país, ele contínua mobilizado apesar da repressão militar. A televisão líbia mostra entretanto imagens de multidões pro-governamentais, continuando a ignorar os manifestantes anti-governamentais e a chacina dos últimos dois dias.

Mortos durante a carga das forças de segurança sobre manifestantes na Líbia

Mortos durante a carga das forças de segurança sobre manifestantes na Líbia

Testemunhas em Tripoli descreveram a situação hoje na capital como calma mas tensa, com falta de alimentos e tiros esporádicos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se esta manhã para debater a situação na Líbia, onde na véspera as forças de segurança se tinham engajado numa luta sem mercê para proteger o regime. A reunião, em Nova Iorque, deverá prosseguir durante a tarde e noite.

As notícias que chegam ao exterior indicam que foram recrutados mercenários do Chade e do Uganda para reprimir os manifestantes. De acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, cerca de três centenas de pessoas foram mortas vítimas da repressão militar entre domingo e segunda-feira em Tripoli.

A televisão líbia indica que as forças de segurança estão a atacar os refúgios dos que chamam de sabotadores. A mesma fonte citou o filho do Coronel Kadhafi, Saif al-Islam como tendo dito que os aviões militares só atacaram as reservas de munições na cidade - o que foi desmentido por relatos de testemunhas.

Chegou a ser levantada a hipótese de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acolher no seu país o líder da Líbia, Muammar Kadhafi. Mas tal não se verificou.

Chegou a ser levantada a hipótese de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acolher no seu país o líder da Líbia, Muammar Kadhafi. Mas tal não se verificou.

Hoje os países da União Europeia prosseguiam as operações de repatriamento dos seus cidadãos no território líbio. Várias empresas e companhias petrolíferas anunciaram a suspensão de suas actividades por recearem a escalada da violência.

Milhares de líbios e de cidadãos dos países vizinhos como a Tunísia e o Egipto estão a atravessar a fronteira para o exterior do país, em busca de refúgio.

Vários diplomatas líbios anunciaram a sua demissão em solidariedade com o povo. Depois do embaixador na Índia, o exemplo foi seguido pelos embaixadores líbios aqui em Washington, Paris e na UNESCO. Ontem o ministro da justiça Moustapha Abdel Jalil tinha-se demitido em protesto a repressão militar.

O sheik Yusuf Qaradawi condenou Kadhafi à morte através de uma "fatwa".

O sheik Yusuf Qaradawi condenou Kadhafi à morte através de uma "fatwa".

No mundo árabe vários grupos extremistas entre os quais o palestiniano o grupo palestiniano Hamas, que dirige desde 2006 a Faixa de Gaza, criticou a decisão de Muammar Kadhafi em reprimir os seus opositores.

Uma outra crítica sonante é a do clérigo muçulmano Sheik Yusuf Qaradawi emitiu um decreto religioso exortando ao assassínio de Muammar Kadhafi.

Qaradawi, Presidente da Associação Internacional dos Académicos Islâmicos, e apresentador do programa "A Sharia e a Vida", na televisão al-Jazeera, disse que o dirigente líbio "quer aniquilar o seu próprio povo" e exortou a "matarem-no e aliviarem o povo deste fardo".

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