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Jornalismo angolano debate crise e ameaças no sector

  • Manuel José

Profissionais defedem pressão sobre poder público para introduzir as medidas necessárias.

O futuro dos jornalistas angolanos está no centro do debate da classe no momento em que meios de comunicação são fechados e há ameaças de corte do pessoal.

Muitos são aqueles que defendem que a classe tem de pressionar o poder público a tomar as medidas necessários.

''É muito difícil ser-se jornalista em Angola'', diz categoricamente a antiga secretária-geral do Sindicato de Jornalistas Angolanos, Luísa Rogério que descreve um quadro nada animador.

“Há jornalistas em prateleiras, apenas ganham salários sem fazer nada, estão em alguns orgãos de comunicação por causa de sua postura não alinhada com a promiscuidade, são jornalistas apenas comprometidos com a profissão que pura e simplesmente são ostracizados porque infelizmente vivemos num país onde a realidade é profundamente marcada por aspetos políticos e económicos'', narra Rogério que aponta a não regulamentação da lei de imprensa e consequente implementação da comissão da carteira profissional do jornalista como condicionantes da situação actual.

Luisa Rogério

Luisa Rogério

''Há muita promiscuidade e incompatibilidades entre nós, há muita interferência dos partidos políticos no exercício do jornalismo, há interferência, por via da omissão dos poderes públicos, nós temos colegas jornalistas de manhã e à tarde são mestres de cerimónia em actos do Governo onde é que isso se encaixa?”, pergunta aquela jornalista que também questiona a credibilidade e o rigor desses profissionais.

Por seu lado, Avelino Miguel, um dos decanos do jornalismo angolano, pede que as associações da classe pressionem mais o poder.

''Os Sindicatos devem bater-se mais para que os jornalistas sejam mais dignificados, é preciso que se melhorem as condições salariais dos jornalistas, a segurança social e as condições de trabalho dos jornalistas, há muitas figuras do regime que questionam o trabalho dos jornalistas, mas são eles que até ao momento impedem que a lei de imprensa seja regulamentada”, defende Miguel, para quem o país tem de abrir mais para que haja “uma paisagem de informação que se enquadre com um estado democrático e de Direito''

Nesta sexta-feira, 8, o Sindicato de Jornalistas Angolanos realiza um debate sobre as grandes questões que afectam a classe no Centro de Formação de Jornalistas, em Luanda.

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