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Zimbabwe: Activista Jestina Mukoko denuncia a tortura em livro

  • Redacção VOA

 Jestina Mukoko

Jestina Mukoko

Activistas dos direitos humanos dizem que o livro ajuda a recordar que os abusos continuam naquele país.

A activista zimbabweana dos direitos humanos Jestina Mukoko publicou um livro sobre o seu sequestro e tortura pelas forças de segurança, em 2008.

Jestina Mukoko foi sequestrada em sua casa, nos arredores de Harare, pelas forças de segurança, no dia 3 de Dezembro do referido ano.

No seu livro, “sequestro e julgamento”, ela apresenta detalhes sobre a tortura que sofreu nas três semanas seguintes. Com os pés atados, ela era forçada a ajoelhar no cascalho. Sentia dores insuportáveis.

Era também forçada a escutar música em som estridente. Inúmeras foram as horas de interrogatório.

Os sequestradores entregaram lhe à polícia e foi julgada por conspirar contra o governo. Saiu sob fiança, em Março de 2009, e em Setembro do mesmo ano um juiz concluiu que os seus direitos haviam sido violados.

Mukoko é directora do projecto paz no Zimbabwe e acredita que foi detida, porque estava a investigar o abuso dos direitos humanos pelas forças de segurança nas eleições do ano anterior.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o caso dela não é isolado, e que todos os que criticarem o governo de Robert Mugabe correm o risco de intimidação, prisão e outros abusos.

Dewa Mavhinga, investigador sénior na divisão Africana da Human Rights Watch, diz que o aconteceu com Mukoko “poderá acontecer com outras pessoas … continua a acontecer e no ano passado teve lugar o sequestro do jornalista e activista Itai Dzamara, que continua desaparecido e sem protecção legal”.

Mavhinga acrescenta que é importante mostrar que isso está a acontecer e que não há responsabilização.

Mas para o governo do Zimbabwe não há impunidade para os que cometem abusos.

O director da Comissão dos Direitos Humanos, Elasto Mugwadi, disse à VOA que Mukoko poderá meter uma queixa e a comissão investigará.

Mukoko não confia nas autoridades e recorda que escreveu o livro para desabafar e mostrar solidariedade com os que que tiveram experiências similares e têm medo de confrontar.

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