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Isaac dos Anjos: "Importação de alimentos é uma vergonha nacional"

  • João Marcos

Isaac dos Anjos

Isaac dos Anjos

Governador de Benguela critica importação de produtos agrícolas.

Após um apelo ao consumo da produção interna, o governador de Benguela considera que o país deve admitir que a importação de quase todos os bens consumidos constitui uma vergonha nacional.

Isaac dos Anjos lamenta que tenha sido a crise económica e financeira a responsável pelos debates públicos sobre a agricultura como parte da diversificação da economia.

Nada que já não tivesse sido dito por actores da sociedade civil, movidos pelo actual contexto económico.

Proferidas por um governante, que até já foi ministro da Agricultura, estas palavras ganham mais peso.

“Agora, com o país sem dinheiro, falamos da agricultura. Quando voltarem a ter recursos, espero, não voltem a importar tanto”, disse Isaac dos Anjos na sessão passda do Quintas de Debates, um espaço de debate promovido pela organização não governamental Omunga e que teve como convidado o governador de Benguela.

“Os angolanos devem parar um minuto para admitir que é uma vergonha”, disse Anjos, para quem “importamos tudo, até palitos de dente, tapioca e a cenoura já enlatada”.

Pior do que os altos níveis de importação, são as opções pelos mesmos mercados, com realce para o Brasil, Argentina e Portugal.

Isaac dos Anjos lamenta o fraco aproveitamento do corredor económico do Lobito, que tem no caminho-de-ferro uma referência obrigatória.

“Por quê que o milho que comemos tem de vir da Argentina?”, questiona o governante, para mais adiante lembrar que a Zâmbia, seria uma boa opção.

Isaac dos Anjos lembra que o Zimbabwe já foi um grande produtor, com vários hectares e muita capacidade de produção.

As palavras do governador de Benguela não passaram despercebidas ao secretário-geral adjunto da Unita, Rafael Massanga Savimbi, já a caminho do Huambo, depois de uma visita a Benguela.

Na óptica do filho do líder fundador do partido do galo negro, estas palavras confirmam a necessidade de mudança

“Ainda bem que tudo isto é dito por um governante do MPLA. Demonstra que tem de haver mudança em 2017”, reforça Massanga, que aposta na vitória do seu partido nas legislativas do próximo ano.

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