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Índia "investe" em Moçambique

  • Ramos Miguel

Primeiro-ministro indiano Narendra Modi e seu homólogo moçambicano Filipe Nyusi

Primeiro-ministro indiano Narendra Modi e seu homólogo moçambicano Filipe Nyusi

Visita do primeiro-ministro a Maputo revela interesse da Índia no sector energético.

Os governos de Moçambique e da Índia assinaram nesta quinta-feira, 7, em Maputo, três acordos de cooperação, numa altura em que as autoridades moçambicanas parecem procurar reforçar o seu relacionamento com países que no passado não eram relevantes do ponto de vista político e económico.

Os acordos abrangem os sectores agrícola, da juventude e desporto e combate à droga e foram assinados no contexto da visita do primeiro-ministro da India, Narendra Modi, a Maputo.

Modi já se reuniu com o Chefe de Estado moçambicano, num encontro em que Filipe Nyusi destacou o facto da energia constituir "um grande negócio para Moçambique, se calhar mais do que o gás natural".

A visita do chefe do Governo indiano ocorre numa altura em que a India, China e outros países asiáticos que não eram relevantes no passado recente, hoje são "players" fundamentais, sobretudo no contexto económico mundial.

Em Moçambique, algumas correntes de opinião defendem que tendo em conta que o Ocidente abandonou a sua cooperação com Moçambique, Maputo deve equacionar o seu problema com esses países emergentes.

O economista Magid Ossman, ministro das Finanças no Governo de Samora Machel e funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reconhece a importância desses países, mas diz que "será um erro tremendo se nós fizermos este tipo de opções".

Entretanto, sabe-se que as empresas National Thermal Power Corporation Limited e Coal India Ltd., poderão retomar o projecto para a construção de uma central térmica em Moçambique, com capacidade inicial de 200 megawatts.

Inicialmente, aquelas duas empresas faziam parte do consórcio para a construção da referida central térmica, mas abandonaram-no, alegando que as suas necessidades de carvão eram muito diferentes das empresas siderúrgicas.

Refira-se que a Índia mantém vários interesses em Moçambique, incluindo participações de duas empresas indianas no bloco de exploração de gás natural, liderado pela Anadarko, na bacia do Rovuma, no norte do país, e produção de carvão na província de Tete, no centro.

Em 2015, o International Coal Venture Limited (ICVL) protagonizou um dos principais negócios em Moçambique, ao adquirir por apenas 50 milhões de dólares as minas de carvão que a australiana Rio Tinto possuía em Tete e pelas quais tinha pago mais de três mil milhões de dólares.

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