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Cassação de Dilma Rousseff pode afectar comunidade africana no Brasil

  • Patrick Vaz

Dilma Rousseff

Dilma Rousseff

Opinião é da directora do Centro de Estudos Africanos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A eventual cassação do mandato da Presidente brasileira afastada Dilma Rousseff tem gerado incerteza nos estrangeiros que vivem no Brasil, em especial a comunidade africana.

Muitos deles estudam e trabalham no país.

Os programas já consolidados pelo Governo do PT para os estrangeiros nos últimos anos podem sofrer alterações caso seja confirmada a impugnação da governante brasileira.

Esta é a avaliação da professora Vanicleia Silva Santos, do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também directora do Centro de Estudos Africanos da universidade.

“Esse impeachment teria algum impacto nas políticas que o Brasil tem para com os africanos que aqui estão. Há pessoas que vêm com o visto de estudante, também como refugiado político ou mesmo para morar de forma ilegal. Em relação às políticas que o Brasil tem com os países africanos envolve as relações diplomáticas até aos programas especiais que incentivam a chegada desses estudantes no país”, explicou Santos.

A especialista destaca o Programa Estudante Convênio para graduação e pós-graduação existe há 50 anos e está presente em universidades públicas e privadas recebendo estudantes africanos de várias localidades. Não apenas aqueles que falam o português, mas também outras línguas como o inglês e o francês. Esses estudantes têm os mesmos direitos dos demais”, ressaltou.

Vanicleia Santos também destaca outro projecto do Governo para a educação, a Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), em que um terço dos seus estudantes são provenientes da África, principalmente da Guiné-Bissau.

“Dos 2.800 alunos matriculado na Unilab, pouco mais de 800 são estrangeiros, a maioria guineense. Eles moram nas dependências da Unilab por quatro anos e quando terminam os estudos precisam retornar aos seus países. Se quiserem retornar posteriormente ao Brasil para fazer uma pós-graduação podem sim retornar”, frisou.

Para a docente, essa transição na política brasileira acaba gerando um incómodo, uma incerteza em relação ao futuro para os estrangeiros, em especial os africanos, que estão no país em busca de melhores oportunidades.

“Nos últimos 13 anos, o que a gente viu no Brasil foi uma política voltada para a população mais pobre e isso é um ponto importante. Estamos hoje num momento em que não apenas a política brasileira está em jogo, mas também um possível retrocesso das políticas voltadas para as populações menos favorecidas. Isso inclui os africanos”, ressaltou Vanicleia Santos, que diz esperar que o actual Governo Michel Temer continue estendendo os laços com os países africanos, embora tal não esteja a acontecer.

“O Brasil foi receptor dos africanos. Eles trabalharam na formação do nosso país. O Brasil é o que é hoje porque os africanos trabalharam aqui por 400 anos sem serem remunerados. O que o ex-Presidente Lula da Silva propôs é que o Brasil, além de ser apenas um país receptor, também promova um retorno a esses países que tanto contribuíram para a nossa cultura, economia, etc. O que penso hoje é que como a gente tem um espectro de um Governo que é sustentado pelo grande capital e que teve sua campanha financiada pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que programas esse governo terá para os mais pobres?”, questionou a directora do Centro de Estudos Africanos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Vanicleia Santos

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