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Imigrantes africanos em Israel pedem suspensão das deportações

  • Alvaro Ludgero Andrade

Muitos deles, como sudaneses e eritreus, garantem que se regressarem aos seus países serão presos ou mortos.

Três dias após 10 mil refugiados, na sua maioria do sudão e da Eritreia, terem pedido aos Estados Unidos, junto da sua embaixada em Tel-Aviv, para intervirem junto do governo de Israel no sentido de parar a detenção em massa dos imigrantes, a situação continua tensa.

O responsável do Alto Comissariado para Refugiados da ONU em Israel criticou o tratamento dado e os imigrantes africanos, que declararam greve geral, prometem voltar à carga.


Walpurga Englbrecht criticou o tratamento dado por Tel-Aviv aos refugiados, ao dizer que as novas politicas e leis de Israel não são compatíveis com o espirito da convenção sobre refugiados de 1951.

Num comunicado após ter recebido uma delegação dos imigrantes africanos, o Alto Comissariado da ONU, classificou o campo de detenção de Holot uma prisão para todos os efeitos, apesar de Israel chamá-lo de "campo aberto". "Trata-se de um campo de detenção do qual não há saída", lê-se no comunicado.

Os cerca de 50 mil imigrantes africanos em Israel segundo dados não oficiais querem que o governo de Israel os reconheça como refugiados e liberte centenas de pessoas que foram presas e enviadas para campos de detenção no deserto do Negev, no sul do país.

Em resposta, o ministro do Interior de Israel Gidon Saar disse que os imigrantes africanos não são refugiados mas sim infiltrados à busca de trabalho.

Posição contrária tem o presidente da Câmara Municipal de Tel Aviv, cidade onde se concentra a maior parte dos emigrantes africanos.

Ron Huldai, diz que o governo deve acolher os refugiados e dar-lhes permissão de trabalho para que possam se sustentar de maneira digna.

A Câmara emprega os refugiados no departamento de limpeza desafiando as decisões do governo que proíbem os africanos de trabalharem.

Dezenas de donos de restaurantes manifestaram o seu apoio aos refugiados e o movimento também conta com a ajuda de activistas de direitos humanos israelitas.

Na base desses incidentes está a nova lei de imigração aprovada pelo parlamento israelita há cerca de dois meses, que, segundo a jornalista Rachely Rachewsky Scapa, radicada em Kfar saba, não é consensual

Enquanto o ministro do Interior Gidon Saar continua a convidar os imigrantes para irem para o campo de detenção de Holot, os imigrantes e activistas dos direitos humanos esperam uma intervenção da comunidade internacional para evitar a sua deportação.

Muitos deles, como sudaneses e eritreus, garantem que se regressarem aos seus países serão presos ou mortos.
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