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Huambo: Mil mortos "podem" votar e 20 mil vivos foram excluídos

  • António Capalandanda

Comissão Provincial Eleitoral do Huambo (VOA/António Capalandanda)

Comissão Provincial Eleitoral do Huambo (VOA/António Capalandanda)

A sociedade civil em Benguela e Huambo conclui não existirem condições para eleições a 31 de Agosto, devido às irregularidades dos cadernos eleitorais

Uma organização da sociedade civil no Huambo diz ter encontrado mais de mil mortos registados para votar e milhares de vivos que serão impedidos de o fazer devido a erros nos cadernos eleitorais.

O Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário (FORDU) fez um estudo e partilhou as suas conclusões com a Voz da América (VOA).

Mais de 1000 nomes de pessoas mortas foram encontradas em cadernos eleitorais no Huambo e mais 20 mil eleitores ficarão sem votar por os seus nomes terem sido encontrados em cadernos eleitorais noutras províncias. Noutros casos, os eleitores devem votar em mesas que distam até 150 quilómetros da sua residência.

O documento apresentado à VOA pelo Fórum nota a existência de nomes de milhares pessoas falecidas que figuram nos cadernos eleitorais, como aconteceu por exemplo, na Assembleia de Voto nº10.13.040, na nº3 onde constam os nomes de Francisco Sandanoca e Paulino Tchissingui falecidos em 2007 antes das legislativas de 2008.

Segundo o mesmo estudo há milhares de pessoas que fizeram o seu registo no Huambo, todavia os seus nomes apareceram noutras províncias como é o caso de Graça Chimbinda com número de eleitor 166765 - fez a actualização do registo no município do Bailundo, mas o seu nome saiu para votar na província do Bié.

O mesmo se passa com Eugénia Sachipe com o número de eleitor 7880: também actualizou o seu cartão de eleitor no Bailundo, mas aparece para votar na província do Kwanza Sul.

Angelo Kapwatcha presidente do Fórum Regional para o Desenvolvimento Universitário disse que, se as autoridades angolanas tivessem senso de responsabilidade deveria adiar eleições, alegando falta de condições.

“Quando as evidências estão aqui a provar que as coisas não andam organizadas, nós devemos ter o mínimo de respeito connosco mesmo e corrigir os erros” disse Kapwatcha, acrescentando que “ isso implicaria dar mais um tempo razoável que permitisse a correcção de erros.”

No Bié a UNITA apresentou também hoje nomes dos mortos que constam nos cadernos eleitorais, eleitores cujos nomes saíram para votar distantes das suas localidades e uma pessoa cujo nome aparece em duas ou três assembleias de voto.

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