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Os veteranos de guerra no Huambo não sentem os benefícios da paz


Liberty Chiyaka secretário provincial da UNITA no Huambo

José Jaime, um ex-militar disse à VOA que o governo não cumpriu com o estipulado nos acordos de paz

Os veteranos de guerra no Huambo dizem que não sentem os benefícios da paz alcançada em Angola, há 11 anos e acusam o governo angolano de não ter cumprido com os acordos de paz.

Liberty Chiayaka, deputado da UNITA para o círculo provincial do Huambo já reagiu.


O político que falava aos jornalistas à margem das celebrações do dia da paz em Angola que decorre, amanhã, quinta-feira, disse haver grandes focos de instabilidade em Angola que deixam o país em situação de alto risco.

“Não pode haver paz social quando aqueles que fizeram a paz militar, nomeadamente os ex-militares das FALA e FAPLA, estão deitados ao desprezo, humilhação e indigência ”.

José Jaime, um ex-militar disse à Voz da América que o governo não cumpriu com o estipulado nos acordos de paz. Aquele veterano de guerra contou ainda que como nos tempos de guerra muitos dos seus companheiros lutam ainda pela sua subsistência. As viúvas e esposas também foram excluídas do processo de reintegração, notou acrescentando que sozinhas elas arcam com o peso da sua própria sobrevivência e dos seus filhos.

“Não temos paz social, gostaríamos que nós os ex-militares que lutamos com armas nas mãos, tivéssemos também a paz social” disse Jaime acrescentando que “hoje só paz social para uns poucos e aqueles que lutaram com armas nas mãos não (a) têm.”

Chiyaka acredita que o sucesso da transição da guerra para paz duradoura depende do respeito pelos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e dos ex-combatentes. Deu como exemplo os tumultos do dia 27 Março em que os veteranos de guerra entraram em confronto com polícia antimotim e fizeram reféns por algumas horas.

“Queremos efectivamente que a paz se efective e que alguns focos de instabilidade como o aconteceu no dia 27 de Março quando os ex-militares levantaram-se sejam resolvidos. Queremos apelar as autoridades angolanas assumam o seu papel.”
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