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Habitantes da Gorongosa pedem à Renamo e ao Governo que parem com a violência

  • André Baptista

Várias famílias fugiram à nova onda de confrontos em Satunjira e refugiaram-se em Gorongosa.

Centenas de novos refugiados dos confrontos entre forças governamentais e a guarda da Renamo na Gorongosa pediram nesta quinta-feira ao Governo e ao maior partido da oposição para “pararem de jogar” com as suas vidas.

Várias famílias fugiram à nova onda de confrontos em Satunjira e refugiaram-se na vila sede da Gorongosa.

Sem auxilio governamental como da primeira vez, vários refugiados se entregam ao trabalho doméstico em troca de comida e outros para se alojar em varandas de casas de pessoas que lhes estendem a mão.

“Estou muito chateado e muito enervado com estas coisas que estão acontecer. Na verdade estão a maltratar-nos porque nós não estamos a ficar sossegados. Estamos sempre com bagagens na cabeça e deixamos muitas coisas lá em Vunduzi”, disse Ricardo Murtar um morador de Vunduzi, que percorreu a pé quase 30 quilómetros para chegar a vila da Gorongosa.

Os refugiados são das regiões de Nhataca, Mucodza e Vunduzi, no sópe da Serra da Gorongosa, largamente atingidas pela tensão político-militar, e onde o exército assaltou e desalojou a 21 de Outubro de 2013 o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que reapareceu 17 meses depois no mesmo lugar.

Inoque Bica, outro morador de Vunduzi, acusa o Governo e a Renamo de “brincar com suas vidas”, manifestando-se farto da situação.

"Estamos cansados de correr e ficar no mato, dormir no mato, comer mal” , queixa-se Bica que apelou às partes para um diálogo.

Inoque Bica como Mateus Pedro, que pela segunda vez abandonam campos de cultivo limpos nas vésperas da sementeira, o que provocou uma fome severa nas épocas agrarias passadas, são unanimes para uma resolução pacifica do desarmamento da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), principal partido da oposição.

“O desarmamento da Renamo deve continuar, mas sendo por meio de diálogo e não por troca de tiros porque isso estraga a população”, defendeu Inoque Bica, enquanto Mateus Pedro é da opinião que “o desarmamento da Renamo deve parar, e nós não queremos mais ver armas no Vunduzi”.

O chefe do posto administrativo de Vunduzi, Viola Caravina, declinou-se a comentar sobre a nova onda de fugas de populares na região e limitou-se a confirmar os confrontos da semana passada e queima de várias casas.

A polícia moçambicana lançou uma nova operação para recolher armas em posse da guarda da Renamo, em Gorongosa (Sofala) e Morrumbala (Zambézia), confirmou semana passada, o ministro do Interior Basílio Monteiro, quase três semanas depois de Afonso Dhlakama ter entregue 16 armas para pôr fim a 9 de Outubro ao cerco da sua casa na Beira.

Novas invasões deverão acontecer nas base de Sitatonga (Sussundenga-Manica) e em Inhambane.

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