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Guiné-Bissau: Amnistia Internacional condena espancamentos de membros da oposição


Militares guineenses patrulham as ruas de Bissau após o ataque de elementos das forças armadas contra um quartel militar nos arredores da capital
Militares guineenses patrulham as ruas de Bissau após o ataque de elementos das forças armadas contra um quartel militar nos arredores da capital

Organização de defesa dos direitos humanos pede igualmente para sejam investigados e levados as justiça os responsáveis por esses ataques contra políticos da oposição

A Amnistia Internacional anunciou que as autoridades da Guiné-Bissau estão a levar a cabo “caças as bruxas” contra os políticos da oposição a seguir ao ataque contra um quartel militar, considerado pelo governo como uma tentativa de contra-golpe.

A Amnistia indicou que dois líderes da oposição foram severamente espancados e muitos outros foram forçados a esconderem-se.

Amnistia internacional afirma que soldados, alguns deles vestidos à paisana raptaram e espancaram severamente dois “críticos declarados do governo de transição” antes de os abandonar a berma das estradas de Bissau na Terça-feira.

A mesma orgainzação indica que o advogado e opositor político Silvestre Alves encontra-se internado sob cuidados intensivos em resultado de sérios ferimentos na cabeça e fractura das duas pernas. Uma outra vítima, Iancuba Indjai, está a ser tratado numa embaixada não especificada. Indjai é porta-voz da coligação de partidos políticos que se opôs ao golpe militar de Abril passado.

A Amnistia pediu para uma investigação cabal dos espancamentos desses dois actores políticos. A pesquisadora dessa organização para Guiné-Bissau, Marise Castro disse que a impunidade tem alimentado o ciclo de golpes, tentativas de golpes e assassinatos que afectam a Guiné-Bissau há vários anos.

“O problema é que tudo isso tem sido acompanho por inúmeras violações dos direitos humanos que nunca foram devidamente investigadas e sancionadas. As violações dos direitos humanos foram metidas debaixo do tapete e não se pode falar delas. Até acabarem com a impunidade, realizar investigações completas e julgar os perpetradores das violações dos direitos humanos e de outros crimes, eles irão continuar a viver com a insegurança e instabilidade no país.”

O governo de transição da Guiné-Bissau afirmou que não está e nem os seus membros das forças armadas estão por detrás do que chamou de “actos isolados de brutalidade física” contra os dois políticos.

A Amnistia Internacional indica no entanto que o governo tem vindo a perseguir os apoiantes do anterior governo na sequencia do ataque contra um quartel militar nos arredores de Bissau.

O governo afirmou que esse ataque foi uma tentativa para derrubar as autoridades de transição e assegurar o regresso ao poder do primeiro-ministro deposto Carlos Gomes-Junior. Gomes-Junior encontra-se actualmente exilado em Portugal, país que as autoridades de Bissau acusam de ter apoiado a intentona.

A violencia tem alimentado o que a Amnistia chamou de um “persuasivo clima de medo.”

“A população ainda se está muito apavorada e apesar de restrições à liberdade de imprensa ter sido levantada, os medias ainda estão a operar num contexto de auto-censura. As pessoas, não se sentem altura de sairem as ruas para protestar. Têm medo de serem detidas ou espancadas. Esse tipo de tensão e medo tem persistido desde o golpe. Agora com esse ataque aumentou o medo das pessoas e o potencial para mais violações dos direitos humanos pelas autoridades.”

A junta militar fez a passagem do poder para o governo de transição a seguir ao golpe de Estado de Abril, contudo os analistas afirmam que os líderes militares continuam a exercer influencias consideráveis sobre o governo civil.
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