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Ministro de Estado é vítima de agressão na Guiné-Bissau

  • Lassana Casamá

Orlando Viegas é mais uma vítima das denominadas "máscaras negras" na Guiné-Bissau.

O ministro dos Transportes e das Telecomunicações do Governo de Transição da Guiné-Bissau Orlando Mendes Viegas foi espancado ontem, 5, à noite, perto da sua residência na capital por um grupo de pessoas não identificadas.

Orlando Viegas é mais uma vítima das denominadas "máscaras negras" na Guiné-Bissau


De acordo com fontes familiares, Orlando Viegas, que é também um dos vice-presidentes do Partido da Renovação Social (PRS), a segunda formação política do país, foi ferido durante o incidente e passou a noite nas instalações da sede das Nações Unidas em Bissau, depois de ter sido atendido nos serviços de pronto socorro do Hospital Nacional Simão Mendes.

Ainda não há informações oficiais sobre o motivo de mais este espancamento de uma figura pública guineense.

No entanto, Viegas, um dos três ministros de Estado do actual governo, está no centro de várias polémicas.

A última está ligada a acusações do Sindicato de Base dos Trabalhadores da Administração dos Portos da Guiné-Bissau (APGB) sobre a possibilidade da concessão dos serviços de gestão do sector portuário a uma empresa privada estrangeira, iniciativa que, segundo os trabalhadores, partiu do ministro.

Com a polémica instalada, foi necessária a intervenção esta semana do próprio Presidente de Transição, que, segundo fontes oficiais, conhecia o dossier.

Serifo Nhamadjo juntou o Sindicato dos Trabalhadores da APGB e o próprio Ministro dos Transportes e das Telecomunicações, a quem pediu união e solicitou que os funcionários regressassem aos seus postos de trabalho.

No entanto, o ataque aconteceu depois de o Presidente de Transição ter posto fim aparentemente à polémica, ao anunciar o término das negociações com a citada empresa.

Em reacção ao assalto ao ministro, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) considera que o facto evidencia de forma inequívoca a espiral da violência e insegurança generalizada no país.

Por isso, a LGDH exige a abertura imediata de um competente inquérito conclusivo, com vista a levar à justiça os responsáveis por este acto que considerou de inqualificável.

A Liga exorta as autoridades de transição a assumir as suas responsabilidades, com vista a por cobro os sistemáticos actos da violência que comprometem o sensível período de transição.

Enquanto isso, o PRS, partido do qual, Orlando Veigas é um dos vice-presidentes, disse reservar-se ao direito de pôr em causa a sua continuidade neste Governo de Transição, ao mesmo tempo que exige o Governo de Transição e dos restantes órgãos responsáveis pela transição e, nomeadamente, o Procurador-Geral da República, uma explicação cabal deste acto, através de um apurado inquérito, para que os respectivos mandantes e autores materiais sejam apresentados a justiça.

Para o Partido da Renovação Social (PRS) o espancamento do Ministro das Infra-estruturas e Comunicações é um acto executado por um grupo de pessoas “incontroláveis” que, a todo custo, tenta semear o pânico e o terror, e simultaneamente, minimizando os esforços empreendidos e perturbar o processo de transição em curso, a fim de servir interesses próprios.
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