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Defesa quer devolução de passaporte de Zamora Induta

  • Lassana Casamá

 Zamora Induta

Zamora Induta

Vice-Almirante foi libertado, mas não pode sair do país.

Na Guiné-Bissau, os advogados de defesa do vice-almirante José Zamora Induta não se conformam com o facto do seu constituinte ainda não ter recebido de volta o seu passaporte, condicionando assim a sua liberdade efectiva de circulação.

Para os advogados de defesa do antigo Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, é preciso remover todas as imposições que restrinjam a sua liberdade, desde o momento em que o Supremo Tribunal de Justiça expediu o acordão para o efeito.

Ruht Monteiro, umas das advogadas de Induta, testemunhou que vão trabalhar para o levantamento de outras medidas de coação impostas pela promotoria militar ao seu constituinte: “vamos tratar dos outros problemas que este processo também levanta, nomeadamente, qual é a situação dele. Ele foi posto em liberdade, portanto ele pode circular livremente pelo país. O seu passaporte está retido, portanto vamos ver as outras medidas de coação, que no nosso entender também são ilegais”.

Monteiro promete falar nesta terça-feira, em conferência de imprensa, sobre o processo e do alegado envolvimento de Induta no caso 21 de Outubro de 2012.

Este novo desenvolvimento acontece no dia em que as Forças Armadas guineenses assinalam 51 anos da sua criação.

Foi em 1964, 16 de Novembro, que o PAIGC instituiu o seu braço armado.

Hoje, volvidas cinco décadas, e perante um novo quadro político, os militares são responsabilizados pela constante instabilidade que afeta o país.

Consciente desta realidade, a actual ministra da Defesa, Adiato Djaló Nandigna, lançou uma mensagem aos militares guineenses: ”Devemos continuar ao serviço do povo, respeitando as autoridades e os poderes legalmente instituídos e evitar entrear nos assuntos políticos, pois esta não é nossa missão”.

Entretanto, numa perspectiva histórica, Manecas dos Santos, um dos notáveis combatentes pela independência da Guiné e Cabo-verde, e que igualmente esteve nas frentes de guerra em Angola, hoje 73 anos, disse que “as Forças Armadas sofreram grandes transformações até atualidade".

Santos lembra que as Forças Armadas regulares foram criadas pelo congresso de Cassaca, e de acordo com as necessidades e realidades, Amílcar Cabral sempre alterou a sua organização para obter uma maior eficiência e operacionalidade".

"Tínhamos unidades muito aguerridas, combativas e bem preparadas e com uma enorme disciplina, pois tínhamos um objectivo bem definido. Como dizia Amílcar, nos não éramos militares, nos éramos militantes armados”, explica Manecas dos Santos.

Sobre a actual Forças Armadas, o antigo combatente admite a existência de unidades disciplinadas e combativas, "mas pela sua organização, não podemos ter Forças Armadas com grande performance”.

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