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Guarda presidencial angolana reforça segurança

  • António Capalandanda

Jose Eduardo dos Santos

Jose Eduardo dos Santos

Forças Especiais de Apoio ao Comandante-em-Chefe foram chamadas depois dos conflontos no Huambo.

O receio de uma revolta popular na sequência dos confrontos entre a polícia e seguidores da seita A Luz do Mundo, de José Julino Kalupeteka, levou as autoridades angolanas a reforçarem a segurança do Presidente angolano José Eduardo dos Santos. Fontes militares contactadas pela VOA revelaram que entre os dias 19 e 24 de Abril chegaram a Luanda cerca de mil militares provenientes da província do Kuando Kubango.

Aqueles militares integram as chamadas Forças Especiais de Apoio ao Comandante-em-Chefe (FEACC), cuja missão é intervir em eventuais casos de golpe de Estado.

Uma outra fonte ligada aos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) revelou que, “para se evitar ou limitar o ónus político, interno e externo, na sequência do incidente ocorrido no Huambo, as autoridades angolanas escondem o número real de mortos.”

Apesar de, aparentemente, as autoridades terem dado pouco importância aos incidentes no Huambo, na prática, estão a ser introduzidos métodos para controlar eventuais protestos que, segundo o SISE, “tenderiam a alastrar-se a todo o território nacional e a escapar ao controlo do regime”.

A mesma fonte adiantou que o SISE considera Kalupeteca como um elemento fundamental para aumentar ou reduzir as chances de sucesso ou fracasso duma eventual manifestação, por ser um bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento e com grande influência no seio dos seus seguidores.

A tensão aumenta em Angola numa altura em que tem vindo a crescer a hipótese da ocorrência de convulsões sociais por causa do descontentamento da população com a queda do poder de compra. O regime, também, considera a actual situação como “ bastante delicada”

O arcebispo do Lubango, Gabriel Mbilingui diz que a situação está a criar muita tensão em Angola, particularmente na região do Huambo.

Segundo Dom Mbilingui “é um fenómeno que cria muita tensão, que pode ter consequências imprevisíveis, também pela forma como está a ser abordado, até pelas autoridades competentes, o que também deixa uma certa preocupação."

Fontes militares que pediram o anonimato revelaram à VOA que a operação por parte das FAA foi dirigida por altas patentes da contra inteligência e dos serviços de inteligência e segurança militar, que teriam chegado ao local depois de serem convocados em dois camiões militares preparados para operação de guerra.

Ao chegarem no local, os soldados abriram fogo com armas sofisticadas, disparando em todas as direcções, primeiro usando o morteiro 82 mm, o lança-roquete RPG-7 e o Z.U-4.

Recorde-se que nove policiais morreram em confrontos com seguidores da seita A Luz do Mundo em Benguela e no Huambo a 15 e 16 de Abril, respectivamente. As autoridades disseram que 13 civis foram mortos, mas tanto a Unita como a Casa-CE falam em centenas de mortos.

Na semana passada, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, na Suíça, pediu que fosse nomeada uma comissão independente para investigar os confrontos entre as forças de segurança e os fiéis de Kalupeteka.

Em resposta, o Governo angolano Luanda repudiou as declarações da ONU, e exigiu a apresentação de provas ou um pedido de desculpas.

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