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Grupos armados da República Centro Africana vão libertar crianças

  • Redacção VOA

O acordo foi conseguido esta semana em Bangui.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou hoje, 5, que líderes de grupos armados na República Centro Africana concordaram em libertar todas as crianças-soldados sob seu controlo. Aqueles líderes também se comprometeram a não realizar futuros recrutamentos de crianças.

O Unicef diz que o acordo para a libertação das crianças é um dos resultados mais significativos até agora de um fórum de reconciliação nacional que se realiza deste ontem,4, na capital do país, Bangui.

O fórum, que reúne membros do Governo, do parlamento, de partidos políticos e líderes de grupos armados e da comunidade, procura restaurar a paz na República Centro Africana, em guerra há mais de dois anos.

É neste cenário que os líderes das facções armadas assinaram um acordo para libertar as crianças que estão sob seu controlo. O Unicef estima que aqueles grupos mantenham entre 6 e 10 mil crianças sob a sua tutela.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que nem todas as crianças estão a servir como combatentes. Algumas são usadas como escravas sexuais, assim como cozinheiras e mensageiras.

Christof Boulierac, porta-voz do Unicef, revela ser provável que muitas dessas crianças enfrentar dificuldades para se reajustarem à vida normal e levarão algum tempo até se reitegrarem nas suas comunidades.

Boulierac diz que a readaptação não será imediata. Garantir uma boa transição para uma vida comum a uma criança que carregou uma Kalashnikov não é um processo fácil, diz ele.

O Unicef trabalha agora com comunidades e líderes sociais para que as crianças não enfrentem preconceito e estigma no seu regresso à vida comunitária. Segundo ele, a aceitação da comunidade é um passo fundamental.

O Unicef avisa que vai trabalhar agora numa programação estrutura para a libertação das crianças e sua reunificação com as famílias e comunidades.

Enquanto isso, no acordo assinado no fórum, os líderes dos grupos armados aceitaram que o Unicef e os seus parceiros terão imediato e irrestrito acesso às areas sob o seu controlo. Tal facto permitirá que agências humanitárias identifiquem as crianças e planeiem o seu regresso à casa.

A violência na República Centro Africana provocou uma das piores crises humanitárias do mundo. Quase 900 mil pessoas foram deslocadas das suas casas e metade delas refugiou-se em países vizinhos. As crianças estão entre as princpais vítimas dessa guerra.

No ano passado, o Unicef conseguiu a libertação de mais de 2.800 crianças.

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