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"Quando ficamos à espera das grandes políticas e financiamentos as coisas não acontecem"

  • Mayra de Lassalette

Anabela Marcos, psicóloga do trabalho, empreendedora angolana

Anabela Marcos diz que é preciso sair do discurso, educar contra o preconceito e fazer, fazer mais.

No dia em que se celebram os direitos das mulheres em todo o mundo, a Voz da América falou com mulheres que fazem a diferença e que percorrem um caminho diário pela igualdade entre homens e mulheres.

Anabela Marcos mudou a sua vida há quatro anos. Sempre trabalhou com Recursos Humanos em Angola, durante dez anos trabalhou por conta de outrem, até decidir abraçar o desafio do empreendedorismo, ter o seu próprio negócio, numa altura de crise em que a principal reacção dos outros era: "não vais conseguir".

Mestre em Psicologia do Trabalho e dona do seu próprio negócio, Anabela considera que a falta de paridade de género é um problema com origem também na falta de esclarecimento das pessoas e a pouca educação, que clarifiquem as sociedades. A título de exemplo, Anabela não acredita que existam profissões só para homens ou só para mulheres e rejeita a justificação de que apenas os homens podem exercer com sucesso determinados cargos, "isso é preconceito", ressalva.

A dirigir a sua empresa de recrutamento e preparação de profissionais para o mundo do trabalho, Anabela Marcos garante que gerar oportunidades de emprego e potenciar jovens talentos é uma forma de combater, com pequenos passos, a desigualdade existente entre géneros.

Angola Luanda grafiti
Angola Luanda grafiti

No que toca à realidade angolana, a empreendedora diz que apesar de haver muitas mulheres formadas, ainda não lhes são confiados, à mesma escala, cargos de maior poder de tomada de decisão.

"É preciso mudar", insiste, lembrando contudo que será uma mudança lenta, que depende da educação, da mudança de mentalidades, "principalmente dos homens".

Anabela considera-se uma privilegiada no que diz respeito a modelos inspiracionais, a sua mãe, a avó, foram exemplos a nível pessoal que lhe mostraram que uma mulher pode e consegue conquistar o que quer e a nível profissional olha para a sua primeira chefe Helena Miranda, para Michelle Obama e Deolinda Rodrigues, entre muitas outras, que "saíram daquilo que é considerado normal".

Mas ao olhar para o quadro no seu todo, a especialista em recrutamento profissional reconhece que faltam "exemplos, falta inspiração, falta auto-confiança" de uma foram geral, para que as mulheres possam acreditar e singrar.

No seu caso, Anabela confessa que o maior obstáculo que enfrentou ao deixar um emprego seguro para criar a sua empresa foi o "desencorajamento": "Todos os dias ouvir o 'não vais conseguir' ou ser confrontada por tentar entrar em círculos maioritariamente masculinos".

Questionada sobre a mensagem do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, para o Dia Internacional da Mulher, que apela a mais acção, Anabela Marcos diz que sim, "é preciso sair do discursos, das palestras e fazer mais, fazer, fazer porque quando ficamos à espera das grandes políticas, dos grandes financiamentos, as coisas não acontecem".

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