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Grã-Bretanha mobiliza olímpicos para combater a fome

  • Al Pessin

Encerramento dosJogos Olímpicos de Londres

Encerramento dosJogos Olímpicos de Londres

David Cameron descreveu a fome e a subnutrição como uma “crise silenciosa altamente chocante”

Diversos atletas olímpicos juntaram-se ao primeiro-ministro britânico e outros dirigentes mundiais na reunião descrita como “Cimeira da Fome”, em Londres, pouco antes do encerramento da cerimónia de encerramento dos jogos.

Quis-se tirar partido da publicidade em redor dos Jogos Olímpicos e do poder dos atletas-estrelas presentes para chamar a atenção para a fome e a subnutrição, que afectam dezenas de países pelo mundo.

A Grã-Bretanha quer tornar a fome uma questão chave quando assumir, no próximo ano, a presidência do Grupo dos 8 países mais industrializados.

No encontro, o primeiro-ministro britânico David Cameron descreveu a fome e a subnutrição como uma “crise silenciosa e “altamente chocante”. Prometeu trabalhar para nos próximos cinco anos acabar com a subnutrição de 20 milhões de crianças e apelou à comunidade internacional para fazer ainda mais por esta crise.

“Não resolvemos esta situação dispensando ajuda alimentar. Resolvemos garantindo que as mulheres não têm filhos antes de estarem preparadas para as terem, garantindo que os governos fazem cumprir as leis, garantindo que os agricultores conseguem fazer chegar os seus produtos aos mercados. Todas estas coisas complicadas e difíceis precisam de ser resolvidas. Mas não as resolvemos sem liderança e empenho, e é por isso que aqui estamos hoje.”

O Instituto Internacional de Investigação para a Política Alimentar descreve a situação alimentar de “alarmante” ou ainda pior em países tão diversos como a Bolívia, Mongólia ou o Quénia bem como a maior parte de África. Muitos destes países onde os índices de fome são elevados enviaram atletas às Olimpíadas de Londres.

Mo Farah, estrela do atletismo britânico, com duas medalhas de ouro, é da Somália, um país com um dos mais elevados índices de subnutrição. Farah dirige uma organização de ajuda às vítimas da seca no Corno de África.

“Tive sorte em iniciar uma nova vida aqui (na Grã-Bretanha). Vim da Somália quando era garoto. Como sabem a situação ali não é boa. Há crianças que precisam de ter oportunidades, que passam fome, pelo que temos que fazer alguma coisa.”

Esforços repetidos da comunidade internacional para fazer face à fome tiveram algum impacto. Mas o problema é enorme – afecta cerca de 170 milhões de crianças e dezenas de milhares de adultos em todo o mundo. Grupos de ajuda mostram-se preocupados que a seca nos estados Unidos e o consequente aumento dos preços dos alimentos vá empurrar muitos outros para uma situação de subnutrição e fome, e tornar assim ainda mais difícil ajudá-los.
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