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Governo e Renamo retomam conversações, mas sem avanços

  • Alvaro Ludgero Andrade

As partes continuam sem se entender em matéria de constituição das Forças de Defesa e Segurança.

Depois de duas semanas consecutivas sem se reunirem, as delegações do Governo e da Renamo concordaram hoje na necessidade de um cessar-fogo imediato. As duas partes voltaram a reiterar também a urgência de um encontro entre o presidente moçambicano Armando Guebuza e o líder da Renamo, Afonso Dlakhama, mas os discursos revelam um diálogo de surdos.

Governo e Renamo concordaram na necessidade de um cessar-fogo e de monitorizar todo o processo, a começar pelo fim de manifestações e de discursos incluindo junto da imprensa.

Entretanto, esses pontos só poderão ser implementados quando as duas partes concluírem os termos de referência de um acordo que parece estar longe de ser alcançado.

Apesar desses alegados consensos, mantém-se o principal ponto da discórdia entre o Governo e a Renamo: o partido de Dlakhama continua a pedir a retirada das Forças de Defesa e Segurança (FDS) dos locais de conflito e integração dos seus homens nas Forcas de Defesa e Segurança em regime de paridade com o Governo. O Executivo de Armando Guebuza recusa.

À saída da reunião de hoje, os discursos foram, uma vez mais, desencontrados. O chefe da Delegação governamental José Pacheco preferiu destacar a realização das eleições em Outubro, mesmo com os ataques da Renamo.

José Pacheco lamentou o facto de não haver consensos sobre a desmilitarização da Renamo.

Por seu lado, Saimone Macuiane, chefe da Delegação da Renamo, disse que as eleições não estão em causa, mas sim o fim dos conflitos.

Macuiane afirmou ainda que os consensos demonstram a existência de um bom trabalho entre as partes, mas que não se pode concluir que houve avanços significativos, porque o essencial ainda não foi concluído.

Sendo assim, tudo continua na mesma apesar desta ter sido a 62a. ronda de negociações entre o Governo e a Renamo.

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